Indústria

Fábricas de discos de vinil sem capacidade para responder ao aumento da procura

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Equipamento envelhecido, escassez de técnicos para lidar com uma velha tecnologia e investidores cautelosos. A procura de discos de vinil disparou, mas a indústria não tem capacidade de resposta.

Vendas de "long play" estão em forte alta

Getty Images

Autor
  • João Cândido da Silva

Quando se pensava que os discos de vinil estavam mortos, e bem mortos, suplantados pelos seus concorrentes em formato compacto, os velhos “long play” entraram na moda. Nos Estados Unidos, refere o Wall Street Journal (WSJ), as vendas subiram 49% em 2014, em comparação com o ano anterior. Mas se os números das vendas indicam que há cada vez mais adeptos do vinil, em parte pela alegada qualidade superior do som, a era de domínio exercido pelos CD deixou marcas profundas nos produtores que se veem sem capacidade para dar resposta ao renascimento dos 33 rotações.

No mercado norte-americano já foram escoados, este ano, nove milhões de unidades e, um pouco por todos os mercados desenvolvidos, ressurgem lojas onde se podem encontrar novas edições, assim como exemplares antigos que animam um mercado de segunda mão onde os valores da mercadoria em causa podem atingir valores considerados impensáveis há apenas cinco anos. A outra face da moeda está numa indústria que não estava preparada para acorrer à moda.

Uma empresa apenas, de acordo com o WSJ, fornece 90% da matéria-prima solicitada pelos fabricantes de discos. Para as 15 unidades de produção que existem em território norte-americano, isto significa problemas graves, como fornecimentos inferiores às necessidades e cortes no abastecimento do material em que a música é prensada para depois ser percorrida pelas agulhas nos sulcos que caracterizam os “long play”.

Fabricantes de discos, como a United Record Pressing, localizada em Nashville, capital da música “country”, estão a investir na aquisição de novas máquinas de prensagem, mas muitos investidores mantêm uma atitude cautelosa em relação ao setor.

Robert Roczynski, presidente da Record Products of America, uma fábrica situada no estado do Connecticut, que produz peças de aço que servem para moldar os discos de vinil, refere que as encomendas destes moldes triplicaram desde 2008. Fabricantes de discos, como a United Record Pressing, localizada em Nashville, capital da música “country”, estão a investir na aquisição de novas máquinas de prensagem, mas muitos investidores mantêm uma atitude cautelosa em relação ao setor, já que as vendas, embora em ritmo acelerado de aumento, representam somente 2% das vendas de música nos Estados Unidos.

O WSJ refere que as editoras chegam a estar meses à espera dos discos que encomendam aos fabricantes de LP, quando, na era dourada do formato, as solicitações eram cumpridas em escassas semanas. Um dos motivos apontados para esta situação está no facto de os aparelhos de prensagem apenas fazerem 125 discos por hora. O crescimento da procura por parte dos consumidores e das encomendas por parte das etiquetas discográficas, obrigam os poucos fornecedores a funcionarem no máximo da capacidade instalada, o que origina custos crescentes para trabalhos de manutenção e de reparação dos equipamentos, sujeitos a um esforço suplementar.

A questão”, afirma Ryan Raffaelli ao WSJ, “está em saber se existirá suficiente procura pelos discos de vinil para que se assista a um salto. Ainda é demasiado cedo para o dizer”.

Outro fenómeno que está a suceder liga-se com a circunstância de as editoras fazerem as encomendas dos discos que pretendem colocar no mercado com uma larga antecedência. O WSJ dá o exemplo do Secretly Group, que agrega editoras independentes. Nick Blandford, diretor da organização, está já a encomendar os discos que planeia lançar em abril de 2015, quando se celebra o “dia das lojas de discos”. Para conseguirem arranjar mais equipamento, os fabricantes têm procurado em todo o mundo, diz o jornal, em busca de máquinas que podem custar entre 15 mil e 30 mil dólares [10,9 mil euros a 21,7 mil euros]. Uma máquina nova tem o preço de 250 mil dólares [181,1 mil euros].

Professor na Harvard Business School, Ryan Raffaelli é um perito em “reemergência tecnológica” e aponta os exemplos da indústria relojoeira suíça, das canetas de tinta permanente e das livrarias independentes como setores que conseguiram recuperar daquela que parecia ser uma extinção inevitável. “A questão”, afirma o especialista ao WSJ, “está em saber se existirá suficiente procura pelos discos de vinil para que se assista a um salto. Ainda é demasiado cedo para dizer”.

Outros problemas mencionados pelo WSJ e que são desafios para os fabricantes estão no facto de se tratar de uma indústria de trabalho intensivo, além dos problemas de elaboração da cópia-mestra [“master] a partir da qual são feitas as cópias, uma tarefa qualificada como “arcaica”. O equipamento destinado a produzi-la integra componentes eletrónicos considerados “sensíveis” e existem poucos técnicos habilitados a resolver os problemas que surgem.

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