A polícia de Hong Kong avançou hoje para o desmantelamento do derradeiro acampamento dos manifestantes pró-democracia, em Causeway Bay, depois da operação de ‘limpeza’, na semana passada, do principal local dos protestos.

Depois de mais de dois meses nas ruas, um núcleo duro composto por pouco mais de uma dezena de manifestantes mantinha-se sentado no centro do último reduto dos protestos pró-democracia no distrito comercial de Causeway Bay, enquanto a polícia abria caminho, removendo as barricadas e deitando a baixo cartazes.

Trata-se do mais pequeno dos três acampamentos erguidos no final de setembro pelos manifestantes, paralisando zonas da antiga colónia britânica, no quadro de uma campanha, liderada por estudantes, contra a decisão de Pequim relativamente à metodologia da eleição do chefe do Executivo em 2017.

Cinco membros da Federação dos Estudantes, um dos três organizadores do movimento que nasceu em Hong Kong no final de setembro, estavam entre os manifestantes que se sentaram na rua, afirmando estarem dispostos a enfrentar a prisão.

Com eles também estava um manifestante de 90 anos, de apelido Wong, cuja cadeira de rodas estava atrás das barricadas. “Vou deixar que me prendam”, disse o nonagenário.

“Se alguém se recusar a sair, a polícia vai agir no sentido de dispersar ou de efetuar detenções”, disse um porta-voz em comunicado antes da operação.

Na quinta-feira foi desmantelado o principal acampamento do movimento pró-democracia, em Admiralty, que se estendia por um quilómetro de estrada no coração do distrito financeiro, numa operação que resultou em mais de 200 detidos.

Assim, o encerramento do acampamento de Causeway Bay colocará um ponto final nos protestos nas ruas de Hong Kong há mais de dois meses.

As manifestações foram desencadeadas pela decisão de Pequim, anunciada a 31 de agosto, prevê que o futuro chefe do Executivo de Hong Kong seja eleito por sufrágio universal nas próximas eleições, mas apenas depois de serem previamente selecionados, por uma comissão, dois ou três candidatos.