O Presidente Barack Obama disse sexta-feira que a abertura total das relações entre os Estados Unidos e Cuba pode levar anos, acrescentando que é impossível prever o ritmo da mudança da ilha. Uma mudança que Obama acredita que será “irregular”.

Apesar disso, o Presidente norte-americano acredita que o acordo anunciado na quarta-feira, em que os EUA e Cuba reiniciaram relações diplomáticas depois de mais de 50 anos de afastamento, é o caminho certo, escreve a Bloomberg.

Referindo-se ao alívio das restrições comerciais e de viagens entre os dois países, Obama mostrou-se confiante que isso permita “uma maior liberdade e uma maior auto-determinação” ao povo cubano.

Fora da agenda diplomática ficará uma visita de Obama a Havana para um encontro com o presidente Raúl Castro. Obama admitiu que é provável que tal viagem aconteça apenas depois de este deixar a presidência dos EUA, em 2016. “Não estamos numa fase em que uma visita minha a Cuba ou do Presidente Castro aos EUA esteja nos planos”, disse.

Depois do anúncio histórico de quarta-feira, a última comunicação de Obama em 2014 foi marcada por um tom de maior incerteza relativamente aos desenvolvimentos diplomáticos entre os dois países. “Não sei como evoluirá esta relação ao longo dos anos”, disse o Presidente norte-americano, acrescentando que o fim do embargo imposto pelos EUA em 1960 não deverá acontecer “para já”.

O Presidente Raúl Castro, que discursou este sábado perante a Assembleia cubana, sublinhou que a “luta” para pôr fim ao bloqueio norte-americano à ilha “será longa e difícil” e apelou à continuidade do envolvimento da comunidade internacional e da sociedade norte-americana no processo. À semelhança do que já tinha feito na quarta-feira, Castro saudou a decisão de Obama, dizendo que foi dado “um passo importante”, mas que “faltava resolver o essencial”, referindo-se ao bloqueio, escreve a EFE.

Segundo o New York Times, o discurso de Raúl Castro “oscilou entre afirmações conciliatórias e combativas relativamente aos EUA e ao mundo”. O líder declarou a vitória da revolução cubana e afirmou que Cuba não vai renunciar ao sistema política socialista.

“Da mesma forma que nunca propusemos aos EUA que mudem o seu sistema político, exigimos respeito pelo nosso”, disse, citado pela EFE.  

O levantamento desse bloqueio tem de passar pelo Congresso norte-americano, onde tem a oposição de alguns dos legisladores cubano-americanos, liderados pelo senador Marco Rubio, um republicano de origem cubana que pode ser candidato do GOP (Grand Old Party, como chamam ao Partido Repúblicano) às presidenciais de 2016. Alguns republicanos já prometeram fazer os possíveis para impedir a normalização das relações entre os dois países.

Uma piada sobre Fidel quebrou o gelo

Na última conferência de imprensa antes de uma temporada de férias no Havai, o Presidente Obama revelou que no telefonema histórico entre os dois líderes, Raúl Castro fez referência ao irmão, Fidel. Isto porque Obama fez uma introdução de 15 minutos, pedindo depois desculpa pela duração do início da conversa. Castro terá respondido de forma humorística. “Não se preocupe, Sr. Presidente. Ainda é um homem jovem e ainda tem hipótese de quebrar o recorde de Fidel. Uma vez ele discursou durante sete horas seguidas”, disse o Presidente cubano numa referência aos longos discursos do líder da revolução cubana.

E Raúl terá dado uma resposta que durou o dobro do tempo da introdução de Obama. “Pude dizer-lhe: ‘Obviamente, corre-vos no sangue'”