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Um dia depois de o mundo ter perdido o cantor Joe Cocker, aos 70 anos, recordamos alguns dos artistas que nos deixaram em 2014. Músicos, atores, realizadores e escritores, rostos e nomes icónicos que para trás deixaram um legado de índole cultural e alguma saudade, desde a icónica Lauren Bacall às estrelas infantis de Hollywood Shirley Temple e Mickey Rooney.

Uma das personalidades cujo falecimento mais teve eco foi Robin Williams, que acabou com a sua própria vida em meados de agosto. Tinha 63 anos e era a estrela de filmes como “Bom dia Vietname”, “Clube dos poetas mortos” e “O rei pescador”. Foi encontrado morto na sua casa em Tiburon, na Califórnia. Tanto Hollywood como o mundo choraram, então, a morte de um “camaleão talentoso”, assim considerado pelo crítico de cinema Roger Ebert. Da lista quase interminável de condolências constaram comediantes, atores e figuras do mundo do entretenimento. A notícia provocou uma onda de desolação, à qual nem o Presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, foi indiferente.

Um dia depois, ainda o choque do desaparecimento de Williams não tinha desaparecido, o mundo despedia-se de Lauren Bacall, aos 89 anos. Estrela da época de ouro de Hollywood, Bacall foi casada com Humphrey Bogart, com quem teve dois filhos, e contracenou com Marilyn Monroe em “Como se conquista um milionário”. Da carreira cinematográfica fazem parte filmes como “Ter ou não ter” e “À beira do abismo”, mas só passados 50 anos de uma vida agitada à frente das câmaras é que Lauren Bacall seria nomeada a um Óscar da Academia, distinção que aconteceu em 1996 pelo desempenho enquanto atriz secundária no filme “As duas faces do espelho”. No entanto, a estatueta dourada só chegaria às suas mãos em 2009, na forma de prémio honorário.

Mas as perdas na indústria da representação marcaram, desde logo, o ano. O cinema viu-se privado, em fevereiro, de um ator elogiado pela crítica, sobretudo pela sua interpretação na longa-metragem Capote. Foi uma trágica overdose que vitimou Philip Seymour Hoffman, 46 anos, encontrado já sem vida no chão da casa de banho do seu apartamento e com uma seringa no braço. Apesar das circunstâncias que determinaram o fim do percurso de Hoffman, os media recordam-no com carinho. Meses após o triste evento, alguns filmes em que o ator tinha papéis mais ou menos importantes continuam a chegar ao grande ecrã. É o caso da terceira película de “Os Jogos da Fome” (a quarta estreia em 2015 e vai ainda contar com a participação de Hoffman) e o “Homem Mais Procurado”, o último trabalho que deixou completo e que se baseia no romance homónimo de John le Car.

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Aos 83 anos era a vez de o autor de filmes como “Quem tem medo de Virginia Woolf?”, “A primeira noite” ou “Uma mulher de sucesso” sair de cena. O realizador Mike Nichols — além de produtor e encenador teatral — faleceu a 19 de novembro. Harold Ramis, por sua vez, morreu aos 69 anos na terra que o lançou para a fama, em Chicago. Para quem não se recorda do nome, talvez um pouco da sua filmografia ajude: Ramis escreveu o enredo dos filmes “Os Caça-fantasmas”, além de os ter protagonizado juntamente com os atores Bill Murray e Dan Aykroyd, e realizou o “Feitiço do Tempo”.

As estrelas infantis de Hollywood Shirley Temple — a carreira começou aos três anos e os números de dança em filmes como “A menina dos seus olhos”, em 1934, conquistaram o público norte-americano — e Mickey Rooney — que participou em mais de 200 filmes e foi candidato ao Óscar por quatro vezes — juntam-se ao leque de celebridades que se despediram nos últimos 12 meses.

Há ainda outros nomes que certamente serão relembrados de tempos a tempos, até pelas contribuições em diferentes esferas da cultura: é o caso da poeta e ativista Maya Angelou, considerada um “tesouro nacional” em pleno território norte-americano e que lutou pelos direitos civis ao lado de Martin Luther King e Malcolm X, e da escritora PD James, autora de livros policiais e da história “Os filhos do homem” que chegou às salas de cinema numa adaptação protagonizada pelo ator Clive Owen.

O universo da música perdeu ainda os acordes de Tommy Ramone, membro fundador do grupo musical The Ramones, e, repita-se, a voz rouca de Joe Cocker — entre as suas canções mais conhecidas estão as versões de “You Are So Beatiful” e de “Up Where We Belong”.