O supremo tribunal de Nova Iorque deu luz verde a um processo contra o Crédit Suisse onde se reclama uma indemnização de 10 mil milhões de dólares (8,2 mil milhões de euros). O banco suíço é acusado de fraude na venda de títulos associados a créditos hipotecários de má qualidade (subprime) antes de 2008.

O processo foi movido em 2012 pelo procurador-geral Eric Schneiderman, tendo o banco suíço contestado a sua validade. Mas o supremo tribunal de Nova Iorque considerou a ação válida na medida em que ficou demonstrado que o banco se envolveu em más práticas na venda de títulos de subprime, de acordo com a Bloomberg que cita uma deliberação da juíza Marcy Friedman do dia 14 de dezembro. Esta decisão poderá abrir caminho a mais processos contra bancos por causa da crise financeira de 2008, também conhecida por crise subprime.

A ação alega que o segundo maior banco suíço desvalorizou os riscos de investimento em títulos de subprime, compostos por crédito hipotecário com elevado grau de incumprimento. O procurador acusa o Crédit Suisse de ignorar os sinais sobre a qualidade dos empréstimos que estava a usar na composição dos títulos que vendia dado como exemplo créditos empréstimos por uma empresa que tinha entrado em insolvência em 2007.

No ano passado, o Crédit Suisse contestou a ação, argumentando que o procurador de Nova Iorque tinha ultrapassado o prazo legal de três anos para iniciar o processo. O Estado de Nova Iorque contra-argumentou que o prazo era de seis anos. O banco suíço vai voltar a contestar a deliberação do Supremo Tribunal, refere um porta-voz, citado pela Bloomberg.

O procurador de Nova Iorque já iniciou processos similares contra a atuação de outros bancos de investimento na crise do subprime, tendo chegado a acordo com o JP Morgan Chase, Citigroup e Bank of America. Só estes dois últimos bancos aceitaram pagar 20 mil milhões de dólares para pôr fim a todos os processos e investigações.