Desconhece-se o destino de 40 pessoas que poderão ter estado a bordo do ferryboat Norman Atlantic e que até agora não foram contabilizadas, diz a versão inglesa do jornal grego Kathimerini. O número de vítimas mortais, que vai em 13, incluindo 11 passageiros e dois marinheiros albaneses que participavam nas operações de socorro no mar, pode vir a ser maior. O ferry em questão incendiou-se no passado domingo a meio da travessia do Mar Adriático, entre a ilha de Corfu, na Grécia, e Ancona, cidade costeira em Itália.
Citado pela Bloomberg, o procurador da cidade italiana de Bair, Giuseppe Volpe, disse ser difícil assegurar o número correto de pessoas desaparecidas tendo em conta a presença de três passageiros clandestinos na embarcação, a sobrelotação que se verificou e os restantes passageiros que, entretanto, foram resgatados (427). Volpe confirmou ainda que a última contagem revela que 499 pessoas estavam a bordo do Norman Atlantic, mas que alguns passageiros clandestinos já sem vida poderão ser encontrados no porão da embarcação. O semanário grego To Vima noticiava, esta segunda-feira, que estariam 38 pessoas desaparecidas.
Uma operação liderada pelas autoridades italianas salvou os passageiros e apagou o incêndio que deflagrou no dia 28 de dezembro, por volta das 04h00 (horas locais), na área referente ao parque de estacionamento do ferry. As equipas de resgate lidaram com fumo denso, mar agitado e chamas altas, alimentadas pelo forte vento que se fez sentir. O relato foi feito pelas autoridades navais numa conferência de imprensa realizada em Roma, na passada segunda-feira. A operação de resgate demorou aproximadamente 34 horas.
Agora, o próximo passo será rebocar o ferry, por motivos de segurança, uma tarefa difícil tendo em conta o alto mar e os ventos fortes que podem comprometer os cabos usados para o efeito, explicou o primeiro-ministro italiano Matteo Renzi na mesma conferência de imprensa.
De regresso a terras gregas, os passageiros da embarcação Norman Atlantic queixaram-se que o alarme de incêndio não soou a tempo e que a tripulação não foi útil quando a coordenar a evacuação. O jornal Kathimerini dá voz a um passageiro grego, que viajava com a sua família, que relatou que alguns membros da tripulação abandonaram o navio antes de os passageiros serem evacuados. Houve ainda quem tivesse passado à frente da fila das pessoas que estariam a ser evacuados, no sentido de se salvarem a si próprias.