O presidente da organização Comunidade Vida e Paz defendeu esta segunda-feira a criação de um nível intermédio de ajuda aos sem-abrigo, que funcione quando o frio aperta, mas não o suficiente para as autarquias ativarem planos de contingência. De acordo com Henrique Joaquim, a organização vai propor que passe a existir “um plano intermédio para esta fase de frio, que não é tão aguda, mas anda entre os 5 e os 8 ou 9 graus e exige também alguns cuidados”.

O plano de contingência da Câmara Municipal de Lisboa, que implica o reforço da distribuição de agasalhos ou a abertura de estruturas de acolhimento, como as estações de metropolitano, é ativado quando a temperatura desce abaixo dos 4 graus centígrados.

Este inverno, face às previsões de descida da temperatura, a autarquia ativou o plano no dia 29 de dezembro, tendo decidido desativá-lo no domingo passado. Uma decisão que o presidente da Comunidade Vida e Paz afirma compreender, quer “do ponto de vista racional, quer do ponto de vista operacional”, já que “as organizações que estão envolvidas no plano de contingência continuam a atuar”.

Apesar do frio que permanece na capital, Henrique Jardim considerou que a câmara municipal tem de ter “algum tipo de estratégia” e lembrou que “houve alguns recursos que as próprias pessoas que estão em situação de sem-abrigo não utilizaram”, como sejam as estações de Metropolitano. Embora essa infraestrutura já não esteja ativada, “continua a haver albergues a funcionar, continua a haver uma estrutura de acolhimento da Misericórdia a funcionar e as equipas de rua, quer as profissionais que trabalham de dia, quer as voluntárias que trabalham de noite, continuam a fazer o seu trabalho”, sublinhou.

Henrique Joaquim elogiou ainda o bom senso mostrado pela autarquia ao ativar o plano mesmo sem antes de se chegar aos 4 graus, mas admitiu que a existência de um limite quantitativo de temperatura é um problema. “O que está aqui em causa é sempre o limite quantitativo das temperaturas. Não quer dizer que deixe de estar frio”, referiu, adiantando que, com a criação de um plano intermédio, seria possível, por exemplo, um acesso reforçado ao banco de agasalhos.

“Quando o plano de contingência está montado, nós próprios – organizações de voluntários – recorremos a este banco, vamos lá buscar os agasalhos e levamos à rua às pessoas. Há um reforço de ‘stock’ e dos recursos que estão mais disponíveis para nós podermos trabalhar na rua”, explicou, considerando, no entanto, que com as temperaturas atuais “não se justifica a infraestrutura toda montada, porque depois há recursos que as próprias pessoas sem-abrigo não utilizam”.