Os líderes europeus trataram a Ucrânia como “apenas mais um país” a precisar de assistência financeira e não perceberam que o conflito entre a Rússia e a Ucrânia é uma ameaça maior à integridade da União Europeia do que as eleições da Grécia. A análise é do filantropo e investidor multimilionário George Soros, que defende que as sanções à Rússia, num contexto de queda dos preços do petróleo, estão a virar-se contra a Europa porque estão a aumentar o risco de deflação na zona euro e porque podem levar a um incumprimento em dívida (default) ruinoso para os bancos europeus.

“As sanções contra a Rússia estão a reforçar as pressões deflacionistas e recessivas que já existiam [na Europa] mas que agora que tornaram uma realidade”, afirmou em entrevista ao Financial Times George Soros, que nasceu na Hungria. Soros não é contra as sanções, que considera serem “um mal necessário” para fazer retirar as forças russas da Ucrânia, mas defende que os EUA e a União Europeia teriam de fazer acompanhar as sanções de um programa abrangente de apoio económico à Ucrânia, que envolveria algo como 50 mil milhões de dólares, ou cerca de 40 mil milhões de euros.

“Ajudar a Ucrânia funcionaria como uma medida de defesa por parte dos países europeus”, acrescentou o investidor, de 84 anos, que diz que a Europa “tem de acordar“. “Os EUA e os europeus estão empenhados em evitar uma guerra mas a menos que contrabalancem as sanções com apoios à Ucrânia, é possível que venham mesmo a ter uma [guerra]”, receia George Soros, que está a publicar um texto no The New York Review of Books sobre o programa de apoio que defende para a Ucrânia.

“Idealmente, à medida que os problemas da Rússia se agravavam e a Ucrânia fazia progressos, isso levaria o Presidente Vladimir Putin a desistir e a considerar esta tentativa de desestabilizar a Ucrânia uma causa perdida”, acredita George Soros. Desta forma, reduzir-se-ia também o risco de um colapso do sistema financeiro russo, que poderia levar a um default do Estado federal e graves problemas também para os bancos europeus que, como Soros alerta, têm uma elevada exposição a ativos russos.