A Grande Barreira de Coral, que já foi considerado um dos recifes de coral mais prístinos do mundo, perdeu mais de metade dos corais nos últimos 27 anos. As atividades humanas são as principais responsáveis – sobrepesca, poluição costeira e emissão de gases com efeito de estufa. Mas os investigadores receiam que o aumento de mais um ou dois graus Celsius possa fazer com que a Grande Barreira de Coral se reduz a menos de 10% do tamanho original, conforme publicado na revista científica Ecological Society of America.

O modelo criado pela equipa de investigadores baseou-se nos dados recolhidos em 46 recifes ao longo de dez anos – de 1996 a 2006 e indica que “é mais do que provável que o aumento de um ou dois graus Celsius leve ao declínio da cobertura de corais e a mudanças na estrutura da comunidade”, conforme disse em comunicado Jennifer Cooper, primeira autora do estudo e aluna na Universidade James Cook. “Se o nosso modelo estiver correto a Grande Barreira de Coral vai parecer muito diferente à medida que a temperatura do mar aumenta.”

A Grande Barreira de Coral contém a maior variedade de corais – 400 tipos -, 1.500 espécies de peixes e quatro mil tipos de moluscos. Esta reserva natural foi considera Património da Humanidade pelas Nações Unidas em 1981, mas neste momento está na Lista do Património Mundial em Perigo.

O aumento da quantidade de carbono na atmosfera leva à subida da temperatura global, com consequente subida da temperatura nos oceanos, e a acidificação das águas, com a dissolução do carbono no oceano. Com o aumento da temperatura e acidez das águas o esqueleto calcário dos corais é destruído levando à morte destes organismos e à destruição dos recifes, que servem de habitat a uma grande variedade de espécies. A poluição das águas, carregada de nutrientes, e o aumento da temperatura também promovem o crescimento das algas que ensombram os corais impedindo-os de crescer.