É crença popular que os canhotos são mais inteligentes e mais criativos. António Lobo Antunes, Bill Gates, Leonardo Da Vinci, Miguel Ângelo, Albert Einstein e Pelé são alguns dos representantes dos esquerdinos. Até na presidência dos Estados Unidos da América, os canhotos dominam: quatro dos últimos sete presidentes são canhotos, incluindo Barack Obama, apesar de apenas 12% da população usar maioritariamente a mão esquerda.

Um novo estudo contraria a crença popular. Joshua Goodman, economista na Harvard Kennedy School, em Massachusetts, nos EUA, analisou bases de dados com mais de 47 mil cidadãos britânicos e norte-americanos para concluir que os canhotos estão em desvantagem face aos destros, em particular em relação aos rendimentos.

"Canhotos são...", diz a Google.

O maior motor de pesquisa da Internet assume que os canhotos são mais inteligentes e mais criativos.

“Os canhotos também têm rendimentos anuais 10-12 por cento mais baixos do que os destros, aproximadamente o equivalente ao retorno de um ano de escolaridade nestas amostras”, relata Goodman. As diferenças salariais são mais notórias nos EUA do que no Reino Unido, em particular entre as mulheres. As canhotas estado-unidenses ganham menos 19% do que as destras, segundo os cálculos do investigador.

Culpa do desenvolvimento cognitivo

Joshua Goodman explica que uma grande parte da distinção de rendimento “pode ser explicada pelas diferenças observadas nas competências cognitivas e nos problemas comportamentais ou emocionais”. O economista diz que os canhotos têm mais dificuldades de aprendizagem, como dislexia, e completam menos anos de escolaridade.

Goodman diz haver uma relação entre canhotos e trauma durante a gravidez, o que o leva a sugerir que o sinistrismo pode ser ambiental, além de genético. O investigador realça, por exemplo, que a proporção de canhotos aumenta no grupo de crianças que foram alvo de ressuscitação após o nascimento.