“Não é propriamente a nossa (pequena) dimensão, ou porque os outros países se esquecem de nós, mas porque temos tido uma certa capacidade de integrar essas comunidades”, além de que Portugal, comparado com a Espanha, França ou Reino Unido, tem uma comunidade islâmica mais pequena e que “está muito bem integrada no país”, segundo os poucos estudos existentes, disse.

Depois, acrescentou, Portugal, um dos países mais seguros da Europa, é também um dos que “tem dado provas do controlo das suas fronteiras” e apesar de ser “um grande ponto de entrada de pessoas na Europa” é “elogiado como extremamente eficaz no controlo das pessoas que entram”.

Nelson Lourenço, professor catedrático da Universidade Nova de Lisboa, presidente do GRESI- Grupo de Reflexão Estratégica de Segurança Interna, falava à Agência Lusa a propósito da reunião desta semana de ministros da Justiça e da Administração Interna da União Europeia, destinada a discutir medidas de combate ao terrorismo. Lembrando que nos atentados que até agora aconteceram na Europa (o último no início do mês em França) os agressores eram na maioria cidadãos dos países em causa, o responsável defendeu que ao contrário de fechar fronteiras o necessário é “construir uma contra narrativa para integrar os jovens de segundas e terceiras gerações”.

“Essa nova narrativa terá de passar pela capacidade que vamos ter de integrar também os líderes dessas comunidades religiosas. Basta ler os jornais, em certas mesquitas de Inglaterra e de França há por vezes discursos que são quase apelos à violência. É preciso integrar essas pessoas, os jovens e os líderes, no quadro dos valores da sociedade democrática e secular em que vivemos, no respeito absoluto da liberdade de opinião de cada pessoas, da livre consciência e da liberdade religiosa que é isso que é o grande património europeu”, disse.

Sempre afirmando na entrevista que o acordo de Schengen de livre circulação de pessoas na União Europeia pode ser melhorado, mas que não deve alterar essa livre circulação, Nelson Lourenço considera que o sistema de informação de Schengen permite um “controlo relativamente eficaz de pessoas e bens” e que o controlo nas fronteiras internas pode existir em alguns momentos e está previsto na lei.

Por isso espera que na reunião de ministros não prevaleça “uma ideia populista securitária que algumas forças querem vender”, mas sim “um espírito democrático que é o da manutenção dos direitos fundamentais num quadro de segurança que é aquele em que a Europa assenta”. “Creio que aquilo que é fundamental no quadro europeu é a manutenção do ideário de uma sociedade democrática e livre”, afirma Nelson Lourenço.

Mas deixa também um aviso: “Não há democracia sem liberdade e não há liberdade sem segurança”.

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