As autoridades paquistanesas enforcaram hoje dois membros do Lashlar-e-Jhangvi (LeJ), grupo armado islâmico hostil à minoria muçulmana xiita, considerados culpados de assassínio, elevando para 11 o número de execuções desde o levantamento da moratória à pena de morte.

Attaullah, também chamado de Qasim e Mohammad Azam foram condenados por um tribunal antiterrorismo pelo assassínio, em 2001, de um médico xiita em Karachi.

“Foram enforcados esta manhã e os restos mortais devolvidos às suas famílias”, disse fonte da prisão, citada pela agência de notícias francesa France Presse.

Após as execuções, ouviu-se uma explosão junto a duas escolas, mas sem causar baixas. Segundo fontes policiais, os autores do atentado deixaram uma nota avisando que a violência irá continuar caso as execuções continuem.

O Paquistão tinha levantado, em meados de dezembro, a sua moratória sobre a pena de morte, em vigor desde 2008, apenas em casos de terrorismo, depois de um ataque de um comando talibã contra uma escola de Peshawar (noroeste), que fez 153 mortos, incluindo 134 crianças em idade escolar.

Este restabelecimento das execuções foi criticado por grupos islâmicos armados, mas também por organizações de direitos humanos e pela União Europeia, que defendem que a “pena de morte não é uma ferramenta eficaz na luta contra o terrorismo”.

As autoridades preveem a execução de 500 pessoas já condenadas à morte por tribunais civis antiterrorismo e anunciaram a criação de um novo tribunal antiterrorismo que permite ao exército a julgar civis.

Nos últimos anos, os ataques intensificaram-se no Paquistão contra os muçulmanos xiitas, que compõem cerca de 20% da população deste país de quase 200 milhões de habitantes de maioria sunita. Na sexta-feira, um ataque contra uma mesquita xiita fez mais de 60 mortos em Shikarpur, na província de Sindh, da qual Carachi é a capital.

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