O ministro das Finanças da Grécia, Yanis Varoufakis, está a contar com dinheiro do Banco Central Europeu (BCE) para evitar um incumprimento na dívida pública já no próximo mês de março. O governo tem de fazer um pagamento ao Fundo Monetário Internacional (FMI) mas os cofres do Estado estão a esvaziar-se rapidamente e há grandes dúvidas sobre se o Tesouro consegue suportar este pagamento e as restantes despesas do Estado. Yanis Varoufakis quer que o BCE entregue os lucros que teve com a dívida pública grega: “é dinheiro nosso, que nos é devido“.

A devolução destes lucros, que rondam os 1,9 mil milhões de euros, foi admitida pelo Eurogrupo mas não é garantido que estes recursos possam ser entregues à Grécia sem que tenha sido concluída a avaliação da troika (a última do atual programa) que está pendente. “O BCE podia entregar este dinheiro ao FMI como reembolso parcial”, afirmou Yanis Varoufakis em entrevista à Bloomberg TV esta quarta-feira.

O grego salientou, contudo, que estava “apenas a dar exemplos, nada foi decidido para já”. Mas sublinhou a sua opinião de que “este é dinheiro que nos é devido. É dinheiro nosso que foi pago excessivamente ao BCE“. Trata-se, aqui, dos lucros que o banco central teve com a compra de dívida grega no mercado, em 2010 e 2011, a preços muito baixos e, entretanto, o reembolso na íntegra.

Varoufakis tenta, assim, pressionar o BCE e as instituições para que este pagamento seja desbloqueado. Mas o grego diz-se “muito confiante de que não teremos um problema de tesouraria, porque todos lutámos muito, durante longas horas, para chegar a esta fase”. “Não acredito que a Europa e o FMI vão deixar-nos tropeçar por causa de um problema relativamente pequeno de tesouraria”.

Questionado sobre as críticas que o BCE fez ao documento apresentado na segunda-feira, dizendo que faltam detalhes claros sobre as reformas, Varoufakis respondeu: “Pediram-nos para criar um documento de três páginas e fizemos um documento de cinco páginas durante um fim de semana”. Por esta razão, “ninguém pode esperar, no seu perfeito juízo, que alguém nestas condições pode incluir uma análise financeira completa e objetivos quantitativos”.

Yanis Varoufakis acrescentou que desde que foi celebrado o acordo com o Eurogrupo, na terça-feira, já regressaram 700 milhões de euros em depósitos à banca grega. Nos dias anteriores a fuga de depósitos intensificou-se e estima-se que na segunda-feira e na terça-feira saíram em depósitos da banca grega cerca de mil milhões de euros por dia.