“O meu maior medo é que morra um filho ou um neto meu”. A frase pertence a Marcelo Rebelo de Sousa que, esta quarta-feira, em entrevista a José Alberto Carvalho no programa Questionário Íntimo, revelou alguns dos seus maiores medos, virtudes, defeitos e desejos. Em relação à resposta à pergunta que toda a gente quer ver respondida – Marcelo avança ou não para Belém? – o professor rematou para canto e encaixotou a questão nas “encruzilhadas da vida” que tem por resolver.

Numa altura em que o ex-líder do PSD está a menos de quatro anos de abandonar a carreira de docente a tempo inteiro – continuará a dar assistência a alunos de mestrado e doutoramento -, cargo que mantém a par da presidência da Fundação da Casa de Bragança e dos comentários habituais na TVI, Marcelo Rebelo de Sousa revelou estar “cansado” da “encruzilhada” em que se tornou a sua eventual candidatura a Belém.

“Católico”, “generoso” e “naturalmente independente”, como se descreveu, o professor de direito disse também sentir às vezes “falta de paciência para comentar” as tramas políticas que todos dias se constroem à volta do panorama político português.

A independência e às vezes a “rebeldia” que transporta para os seus comentários, essas, já lhe valeram algumas “chatices”, revelou Rebelo de Sousa. Talvez, por isso, o que mais valoriza nos amigos seja a “lealdade” e o que mais detesta é a “falta de caráter” nos rivais.

Como jogador ativo no tabuleiro de xadrez político nacional há décadas, Marcelo Rebelo de Sousa confessa que já assistiu a muitas “mentiras” nos bastidores. Tanto em situações em que uma “pessoa está dizer uma coisa convencida de que aquilo vai ser sempre assim”, quer porque existe uma “enorme área cinzenta” na política, terreno fértil para as “meias-verdades”.

Admirador confesso de Papa Francisco, um homem que “encarna uma maneira de viver o catolicismo que se enquadra neste tempo”, mas também de Winston Churchill, “artista, homem da cultura, político, estratega e bom vivant“, Marcelo Rebelo de Sousa revelou que muitas vezes partilha com os seus “colegas do PSD” um dos ensinamentos que o percurso de Churchill lhe trouxe: é que o britânico “ganhou a guerra, mas perdeu a paz”. Será prenúncio para as legislativas?

De resto, quando as lutas políticas fizerem apenas parte da memória, o professor catedrático confessou o desejo de “morrer em casa, rodeado da família e não no hospital”. O lema de vida, esse, herdou-o do pai: “O amor vence tudo”.