Pedro Passos Coelho não quer excluir qualquer cenário para depois das eleições legislativas deste ano. “Quem determina as condições de governabilidade são os eleitores. Eu não fecho porta nenhuma, mas não vou fazer cenarizações”, diz o líder do PSD numa entrevista ao jornal Expresso publicada este sábado.

Passos, mesmo assim, dá quase por certa uma coligação pré-eleitoral com o CDS de Paulo Portas. “Esclarecer-se-à dentro de pouco tempo”, disse, admitindo que essa será “a solução mais natural” face à necessidade de obter “estabilidade governativa”. A tensão com Portas, diz Passos, faz parte do passado: “Houve um momento, em 2013, em que essa tensão existiu. Mas felizmente foi superada e o país ganhou muito com isso”. Agora é tempo de “procurar que a experiência destes quatro anos em conjunto com o CDS possa prosseguir”.

Quanto às reformas que Passos diz que o país ainda precisa, e que podem precisar do apoio do PS também, o primeiro-ministro mostra cautelas. “Eu também já estive na oposição e não deixei de dar o meu contributo para que algumas medidas fossem tomadas. É preciso uma solução o mais partilhada possível e isso responsabiliza todos, estejam ou não no Governo”, diz Passos acerca das medidas que foram travadas pelo Tribunal Constitucional.

Costa pode ser “um desastre” 

Na mesma entrevista, Pedro Passos Coelho diz que as ideias do PS “são outro conto de crianças”, acreditando que António Costa não poderá fazer “radicalmente diferente” do que atualmente está a ser feito pelo Governo caso ganhe as próximas eleições. “Não é possível superar uma quase bancarrota a distribuir dinheiro e a expandir o Orçamento, isso não bate com a realidade”.

À pergunta do Expresso sobre se “votar no PS é regressar às políticas que nos levaram ao desastre”, Passos acede: “Não há razão nenhuma para pensar que não seja assim”. E explica porque entende isso: “As pessoas que têm pontificado nas decisões importantes do PS são basicamente as mesmas que determinaram as escolhas do passado”. Lembra que Costa foi número dois de Sócrates, também a bancada parlamentar socialista, onde Passos vê “uma sintonia muito grande com a política que foi executada”. “Se há algum corte com o passado ainda não se ouviu. Se há algum projeto novo está escondido e ainda não apareceu.

O primeiro-ministro contesta, por exemplo, as críticas socialistas à Europa. “Não foi a Europa que nos criou um problema (…). No essencial tínhamos que viver com o dinheiro que o anterior Governo contratou (com a troika) e que pressupunha necessidades menores do que as reais.”. Admitindo que a maioria “comeu o pão que o diabo amassou”, Passos diz que tinha como guião prioritário tirar o país da assistência financeira. “Isso foi alcançado, o resto são diferenças de tom”, diz, recusando qualquer subserviência às posições alemãs.

Passivo com a UE? “Era preciso garantir flexibilidade”

Na entrevista publicada este sábado, Passos garante ter discutido ao longo destes anos as soluções diretamente com os líderes políticos da troika, mas discretamente, para não prejudicar a posição negociar portuguesa e a necessidade “de ganhar flexibilidade e ir ajustando os objetivos inicialmente previstos”. Admite que “o funcionamento da troika teve insuficiências e revelou problemas”. E recusa que Portugal tenha sido o mais duro do euro contra a posição do novo Governo da Grécia nas negociações do Eurogrupo.

“Houve seguramente países muito mais preocupados com as condições em que se haveria de começar esta conversa com a Grécia do que o Governo português”. Passos entende, aliás, que a Grécia tem muito caminho difícil pela frente. “Posso expressar o desejo de que a Grécia se mantenha no euro e resista a esta prova difícil, que é importante para toda a União Europeia”, diz, recusando porém dizer se confia que o Governo de Tsipras consiga cumprir as condições estabelecidas pela troika. “Até hoje a única coisa que se passou foi isso: a extensão do empréstimo e também do programa”.