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O primeiro-ministro não pagou o valor total em dívida relativo às contribuições para a Segurança Social durante o período em que esteve como trabalhador independente e, segundo o Expresso, Passos Coelho sabia que havia mais a pagar, até porque foi confrontado com a situação por alguns jornais em 2012. A declaração dos valores em falta emitida pela Segurança Social em 2012, quando o primeiro-ministro colocou a questão, reporta uma dívida de 58 meses, entre novembro de 1999 e agosto de 2004, que ascenderia a 7534,8 euros. Este valor poderia ser regularizado por multibanco, segundo uma simulação citada pelo jornal na edição de sábado. O Instituto da Segurança Social contesta estes valores.

No entanto, quando já este ano acertou as contas com a Segurança Social, entregando as contribuições em falta, Pedro Passos Coelho pagou apenas 3900 euros, incluindo juros. Porquê? Porque o documento emitido pelos serviços para pagamento em janeiro de 2013 indicava 3914,7 euros. Este foi o valor novamente comunicado em fevereiro deste ano. Quando confrontado com notícias sobre as suas dívidas à Segurança Social, Passos Coelho finalmente pagou. Nas contas do Expresso, o montante entregue cobre apenas 32 meses do período em que esteve sem descontar a Segurança Social, faltando os valores relativos a 26 meses. 

Citado pelo jornal, o Instituto da Segurança Social (ISS) afirma que não tem registo do documento com a simulação da dívida do primeiro-ministro, e que apontava para um valor mais alto, e garante mesmo que este nunca terá chegado a ser emitido. O ISS acrescenta ainda que o número da nota de liquidação a que o Expresso teve acesso pertence a um documento de pagamento emitido para uma empresa do Porto.

O jornal admite que as diferenças entre o valor total em falta e o cobrado resultem de problemas na centralização de base de dados dos trabalhadores independentes, que foi criada em 2007, incluindo apenas os valores em dívida desde 2002.

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Nas respostas que enviou aos grupos parlamentares socialista e comunista, o primeiro-ministro pouco acrescenta aos esclarecimentos que já tinha prestado quando o jornal Público avançou a história das dívidas à Segurança Social no sábado passado. A principal dúvida que subsiste prende-se, uma vez mais, com a discrepância de montantes, entre o valor pago já este ano e o valor em falta que corresponde ao período em que trabalhou como independente sem descontar para a Segurança Social porque achava que era opcional, segundo a explicação dada esta semana pelo primeiro-ministro.