A produção industrial no Brasil de janeiro recuou 3,5 por cento em relação aos doze meses anteriores, o pior resultado desde 2010, indicou nesta terça-feira o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). A crise na petrolífera brasileira Petrobras e as medidas de austeridade do governo de Dilma Rousseff são os responsáveis por este recuo, que em comparação com janeiro de 2014 é ainda mais alto, 5,2 por cento.

A queda na produção foi detetada em 11 das 15 regiões pesquisadas pelo IBGE e os recuos mais intensos ocorreram nas áreas industriais onde é feito o processamento de petróleo e biocombustíveis, como a Bahia (-12,1%) ou fábricas automóveis, como é o caso do Paraná (-12%) e do Rio Grande do Sul (-11,3%).

São Paulo, o maior parque industrial do país, também teve queda acima da média nacional na comparação com janeiro do ano passado (-5,4%). No entanto, entre dezembro de 2014 e janeiro de 2015, a atividade fabril cresceu 2%, um valor que é considerado normal pelos analistas.

Um dos principais motores da economia brasileira, a Petrobras enfrenta uma série de denúncias de irregularidades em contratos envolvendo grandes empreiteiros e subornos a políticos. A crise levou a empresa a rever cerca de 59 milhões de dólares (54 milhões de euros) em contratos com essas empresas até dezembro do ano passado, de acordo com o Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconómicos (Dieese).

A redução da atividade da principal empresa petrolífera afeta toda a cadeia produtiva, principalmente os estaleiros construídos nos últimos anos para fabricar os equipamentos necessários para a exploração de petróleo na camada pré-sal [em ultra-profundidade].

A Sete Brasil, principal empresa parceira da Petrobras na construção de sondas, apresenta vários milhões em dívidas e já pediu apoio do governo federal através Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), conforme noticiou a revista ‘Época’ no fim de semana.

O setor de óleo e gás é responsável hoje por 13% do Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil, estima o Dieese. Já entre as fábricas de automóveis, a queda na produção tem a ver com o fim da isenção do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) no início deste ano e a redução nas exportações para países vizinhos, como a Argentina. A isenção fiscal estava em vigor desde 2008 e permitiu reduzir o custo dos automóveis.