Duas cartas enviadas no mesmo dia, 13 de março, a Fernando Negrão, que lidera os trabalhos da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) à crise no BES/GES. O antigo administrador-financeiro do BES, Amílcar Morais Pires “desmente e repudia” as declarações feitas por Henrique Granadeiro e diz que a aplicação da PT no papel comercial do Grupo Espírito Santo (GES) resultou de uma “combinação” entre Ricardo Salgado e Henrique Granadeiro. Noutra carta, de Henrique Granadeiro desmente o que foi dito por Luís Pacheco de Melo, antigo responsável pela gestão financeira da PT, propondo uma acareação caso a CPI assim entenda.

Amílcar Morais Pires garante que são “afirmações ou insinuações inaceitáveis” dizer que o investimento da PT no GES resultou de uma proposta do próprio (à PT) e a subsequente aceitação dessa proposta. O antigo gestor financeiro do BES recusa, também, que tenha omitido informação relevante sobre a saúde das empresas do GES, designadamente a Rioforte. “Não conhecia, nem era suposto conhecer, tais informações sobre debilidades económico-financeiras da Rio Forte. E porque as ignorava obviamente não as omiti”, escreve Morais Pires. “E muito menos deliberadamente”, atira, desmentido Henrique Granadeiro.

“O que existiu não foi uma proposta seguida de aceitação, mas sim uma combinação. E essa combinação foi feita entre o dr. Ricardo Salgado e o dr. Henrique Granadeiro”, escreve Morais Pires, desmentindo Henrique Granadeiro.

Numa outra carta a que o Observador teve acesso, também endereçada a Fernando Negrão, o antigo presidente da PT, Henrique Granadeiro não gostou de ouvir Luís Pacheco de Melo, seu antigo administrador financeiro e propõe um cara-a-cara para que a Comissão avalie quem tem razão. Luís Pacheco de Melo devolveu a Granadeiro a responsabilidade sobre aplicações na Rioforte ao validar a transferência de 750 milhões da ESI e a renovação.

Na carta a Fernando Negrão, Granadeiro diz que admite uma “acareação” com Luís Pacheco de Melo, já que garante que as declarações que o próprio prestou “sob juramento voluntário” mas que verificou, “depois do [seu] depoimento, o Senhor Engenheiro Luís Pacheco de Melo produziu afirmações e opiniões que desmentem ou contrariam uma questão nuclear neste caso”, ou seja, quem decidiu investir 897 milhões de euros no GES, que não foram pagos no vencimento.