É cada vez mais notória a presença do Estado Islâmico na Internet. A guerra com os Anonymous após o atentado ao jornal Charlie Hebdo, as constantes contas do Twitter suspensas e a rede social do Estado Islâmico são evidencias do peso que o Califado tenta ter no mundo virtual. Além disso, de acordo com uma investigação do Brookings Institution, foram encontrados mais de 46.000 contas de simpatizantes do Estado Islâmico no Twitter.

Mas não apenas o alcance às massas tem sido maior, mas também o discurso tem estado em metamorfose. A brutalidade da faceta Islâmica está agora acompanhada por um lado ‘leve’. Já não são só execuções: agora são saídas entre amigas, refeições, filhos armados ou carta de condução tirada. À medida que o tempo passa, mais estrangeiro o grupo se torna. Um exemplo está na imagem abaixo: a conta de Twitter que postou a imagem é de uma australiana que se juntou ao EI.

“Chillin’ no Khilafah, a amar a vida.”, dizia uma das fotografias da jovem australiana.

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São inúmeros os exemplos das manifestações de satisfação e esforço de guerra, das mulheres do Estado Islâmico, nas redes sociais. Em entrevista ao Washington Post, J.M. Berger, investigador da Brookings Institution, diz que “o ângulo do da simplicidade do dia-a-dia é uma parte fulcral do marketing.” O Estado Islâmico precisa de homens, mulheres e crianças para tornar o Estado apelativo. Por isso, de acordo com Berger, a promoção de “pessoas felizes num Estado feliz” é a lógica desta propaganda mais leve.

Mas as imagens podem não mostrar a realidade. A maior parte das mulheres que se juntaram ao Estado Islâmico foram dadas posições na brigada al-Khansaa, uma autoridade que visa a proteger a moral. Por isso, têm de ter um papel dócil. Aliás, de acordo com um documento direcionado ao Estado Islâmico, “há uma necessidade Islâmica fundamental das mulheres terem um estilo de vida sedentário”. Sem contar com os inúmeros casos de violência contra mulheres.