O Governo vai avançar com uma linha de crédito de 500 milhões de euros para apoiar as empresas portuguesas com atividade em Angola, anunciou esta quinta-feira o ministro da Economia no final da reunião do Conselho de Ministros. Os empréstimos têm uma maturidade máxima de dois anos e cada empresa só pode aceder a um máximo de 1,5 milhões de euros.

“Conceptualizámos no Ministério da Economia, em colaboração com a ministra das Finanças, e também com a Instituição Financeira de Desenvolvimento, que está neste momento operacional, uma linha, que será gerida pela PME Investimento, com uma dimensão de 500 milhões de euros, que permitirá a concessão de empréstimos com uma maturidade até dois anos”, afirmou Pires de Lima, explicando a decisão tomada esta quinta-feira.

O valor dos empréstimos será limitado a 1,5 milhões de euros por cada uma das empresas. Esta utilização máxima, explicou o governante, justifica-se com as regras das ajudas de Estado da União Europeia.

Segundo o Governo, existirão cerca de 10 mil empresas portuguesas com atividade em Angola, na sua grande maioria pequenas e médias empresas (PME).

Pires de Lima disse que o Governo não queria usar garantias públicas devido ao risco potencial de custos para os contribuintes, mas que depois de ouvir as associações empresariais decidiu avançar para este esquema de apoio.

O apoio surge devido às dificuldades que a economia angolana enfrenta devido à pronunciada queda no preço do petróleo, o principal produto exportado por Angola e de cujas receitas muito depende a sua economia.

Na justificação do cenário que Angola enfrenta, Pires de Lima evitou palavras negativas, dizendo que Angola “é um país muito especial para Portugal”, que a economia angolana “está a viver um tempo especial”, e que tem “um grau de relação importante com o petróleo e o preço do petróleo tem vindo a reduzir-se com significado”.