A crise económica deixou marcas profundas na economia mundial, devendo o potencial de crescimento de economia, embora em recuperação, ficar abaixo do período antes da crise no médio prazo, diz o Fundo Monetário Internacional. No entanto, o declínio nas economias desenvolvidas começou bem antes da crise. A solução, segundo o FMI, passa por mais investimento em infraestruturas, Educação e Investigação e Desenvolvimento.

Entre o início do século e 2007, o período antes da crise financeira se revelar nos Estados Unidos, as chamadas economias desenvolvidas tinham um crescimento potencial em média de 2,25%. Com a destruição de riqueza da crise e os seus efeitos mais estruturais, este valor caiu para 1,3%, nos anos entre 2008 e 2014.

Passados sete anos, com um novo horizonte, já se esperam melhorias, mas não serão assim tantas. Nos primeiros capítulos do World Economic Outlook, que o FMI publica esta terça-feira, o Fundo estima que o crescimento potencial avance para os 1,6% no período entre 2015 e 2020, ainda bastante abaixo do que acontecia antes do período de crise.

Se no caso das economias emergentes esta destruição se começou a verificar com a chegada da crise, nas economias desenvolvidas esta tendência de queda já se notava desde o início da década de 2000. A crise veio agravar a situação, mas há consequências mais estruturais por detrás do declínio.

Uma das principais causas e que afeta os dois blocos, explica o Fundo, é o envelhecimento da população. O investimento também não está a recuperar ao nível que se exigiria para uma recuperação mais ativa do crescimento económico.

Isto coloca um desafio às autoridades, diz a instituição liderada por Christine Lagarde. Com o nível fraco de crescimento que se antecipa, a redução do nível de dívida, tanto pública como privada, será mais difícil e a política monetária convencional já está sem munições.

Para mudar este cenário, o FMI volta a defender o investimento em infraestruturas, tanto nas economias desenvolvidas como nas emergentes, a aporta em reformas estruturais que promovam maior dinamismo da economia, o investimento em Investigação e Desenvolvimento e Educação.