Saúde da Mulher

Kate Middleton: uma alta hospitalar prematura?

476

No mesmo dia em que deu à luz, a duquesa de Cambridge foi fotografada com a princesa nos braços e com uma aparência deslumbrante. No ar ficou a dúvida se o regresso a casa seria, ou não, cedo demais.

AFP/Getty Images

Menos de dez horas depois de ter dado à luz, Kate Middleton aparecia em público com a princesa de Cambridge ao colo e na companhia de William. Foi o retrato de família perfeito, registado vezes sem conta pela legião de fotógrafos que os esperavam à saída do hospital londrino St. Mary, no passado dia 2 de maio. Mas mais do que a aparência da mãe, que também despertou interesse, outras preocupações surgiram. Em particular esta: será que Kate levou a filha demasiado cedo para casa?

Aos 33 anos, Kate Middleton teve um parto natural, alegadamente sem recurso a epidural. A US Weekly escreve que esteve nas mãos de duas parteiras de confiança — entre outros profissionais de saúde –, as mesmas que marcaram presença aquando do nascimento do príncipe George, há quase dois anos.

Uma fonte garantiu ainda à respetiva publicação que o parto correu “muito bem” e que não houve qualquer tipo de complicações. Depois de um parto relâmpago de apenas duas horas e meia, a duquesa deixaria o hospital menos de 12 horas após ter dado à luz.

Catherine, Duchess of Cambridge and Prince William, Duke of Cambridge leave The Lindo Wing of St Mary's Hospital with their newborn daughter on May 2, 2015 in London, England.

Kate e William à saída do hospital. / AFP/Getty Images

Ao que parece, e tanto quanto a imprensa internacional divulgou, foram reunidas as condições para que a alta hospitalar acontecesse num curto intervalo de tempo. “Quando existe um parto natural, as utentes [naquele país] podem sair do hospital até seis horas após o parto, sendo que têm de ser acompanhadas pela estrutura comunitária, isto é, as parteiras”, diz Vítor Varela, membro da Ordem dos Enfermeiros.

Em causa está, sobretudo, uma diferença no modelo de assistência à saúde materna, explica Varela, que assegura que o Sistema Nacional de Saúde português levou emprestado muito da estrutura daquele inglês, salvo algumas exceções. É o caso da assistência relativa ao parto.

Em Inglaterra, e caso a gravidez seja de baixo risco, é possível que uma futura mãe seja assistida por uma parteira — o equivalente, em Portugal, a uma enfermeira especialista em saúde materna e obstetra –, cujo acompanhamento prossegue em regime domiciliário.

Britain's Prince William, Duke of Cambridge, carries his newly-born daughter, his second child with Catherine, Duchess of Cambridge, as they leave the Lindo Wing at St Mary's Hospital in central London, on May 2, 2015.  The Duchess of Cambridge was safely delivered of a daughter weighing 8lbs 3oz, Kensington Palace announced. The newly-born Princess of Cambridge is fourth in line to the British throne.   AFP PHOTO / LEON NEAL        (Photo credit should read LEON NEAL/AFP/Getty Images)

A princesa recém-nascida / AFP/Getty Images

Quando em causa está um parto natural (sem medicação ou intervenção), bem como uma gravidez de baixo risco, é normal que uma pessoa tenha alta 12 horas após dar à luz, afirma também Vanessa Costa, enfermeira obstetra a trabalhar no Centro do Bebé, em Lisboa, onde acompanha famílias na preparação para o parto. Um dos grandes motivos para que tal não aconteça em território nacional, esclarece, é porque os pediatras costumam dar alta 24 a 48 horas depois de o bebé ter nascido.

“Em Portugal, este modelo seria uma excelente ideia”, comenta ainda Vítor Varela. “É importante porque a parteira faz muito a educação para a saúde, trabalha em parceria com a mulher e está ao mesmo nível que ela. As decisões são sempre fundamentadas, ligadas às expectativas das mulheres. Trata-se de um acompanhamento mais personalizado e mais próximo.”

12 horas emocionantes de parto

Cláudia Ramos, 39 anos, beneficiou de uma assistência materna semelhante. Portuguesa a viver há 15 anos em Amesterdão, na Holanda, teve a pequena Olivia Rose há cerca de dois anos. Ainda se lembra do dia do parto, ou melhor, das cerca de 12 horas que esteve no hospital. O parto teve de ser induzido — caso contrário teria a filha em casa –, pelo que deu entrada no hospital BovenIJ Ziekenhuis às 07h00. Pouco tempo depois começava o trabalho de parto e pelas 14h40 já era mãe. Cinco horas mais tarde estava em casa.

Após o nascimento da criança, a personal stylist passou a receber em casa uma enfermeira. “Durante oito dias ficou uma média de três horas”, conta ao Observador através do Facebook. “Fazia-nos o check-up do bebé, limpava a casa de banho e também ajudava a dar banho à criança”, continua. Da experiência diz não ter nada a reclamar, até porque” o quarto estava devidamente equipado e todos os profissionais de saúde — enfermeiras e médicos — foram atenciosos”.

“Não há nada melhor do que voltar para o conforto da nossa casa depois de umas horas de emoção”, relata Cláudia Ramos, acrescentando que foi-lhe fornecido de imediato um número de telefone caso surgisse alguma situação de urgência. Perante as circunstâncias, admite mesmo que, se tivesse de escolher entre a realidade portuguesa e holandesa, optaria sempre pela última.

Todos queremos saber mais. E escolher bem.

A vida é feita de escolhas. E as escolhas devem ser informadas.

Há uns meses o Observador fez uma escolha: uma parte dos artigos que publicamos deixariam de ser de acesso totalmente livre. Esses artigos Premium, por regra aqueles onde fazemos um maior investimento editorial e que mais diferenciam o nosso projecto, constituem a base do nosso programa de assinaturas.

Este programa Premium não tolheu o nosso crescimento – arrancámos mesmo 2019 com os melhores resultados de sempre.

Este programa tornou-nos mesmo mais exigentes com o jornalismo que fazemos – um jornalismo que informa e explica, um jornalismo que investiga e incomoda, um jornalismo independente e sem medo. E diferente.

Este programa está a permitir que tenhamos uma nova fonte de receitas e não dependamos apenas da publicidade – porque não há futuro para a imprensa livre se isso não acontecer.

O Observador existe para servir os seus leitores e permitir que mais ar fresco circule no espaço público da nossa democracia. Por isso o Observador também é dos seus leitores e necessita deles, tem de contar com eles. Como subscritores do programa de assinaturas Observador Premium.

Se gosta do Observador, esteja com o Observador. É só escolher a modalidade de assinaturas Premium que mais lhe convier.

Partilhe
Comente
Sugira
Proponha uma correção, sugira uma pista: acmarques@observador.pt

Só mais um passo

1
Registo
2
Pagamento
Sucesso

Detalhes da assinatura

Esta assinatura permite o acesso ilimitado a todos os artigos do Observador na Web e nas Apps. Os assinantes podem aceder aos artigos Premium utilizando até 3 dispositivos por utilizador.

Só mais um passo

1
Registo
2
Pagamento
Sucesso

Detalhes da assinatura

Esta assinatura permite o acesso ilimitado a todos os artigos do Observador na Web e nas Apps. Os assinantes podem aceder aos artigos Premium utilizando até 3 dispositivos por utilizador.

Só mais um passo

Confirme a sua conta

Para completar o seu registo, confirme a sua conta clicando no link do email que acabámos de lhe enviar. (Pode fechar esta janela.)