Foi o Twitter que ajudou a Agência Federal de Investigação (FBI) a identificar os autores do ataque do Texas. Os dois homens armados que invadiram o local onde se realizava um concurso de cartoons de Maomé são Elton Simpson – com 30 anos – e Nadir Maid Soofi, de 34. Ambos viviam em Phoenix, conta o The New York Times, mas de Soofi pouco se sabe. Foram ambos mortos pela polícia.

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Elton Simpson foi um dos autores do ataque ao concurso de cartoons do profeta Maomé no Texas. Fotografia obtida pela ABC News.

Já de Simpson há mais dados. Semanas antes do ataque, trocou mensagens de cariz violento com membros e apoiantes do Estado Islâmico, assim como com todos os que se manifestaram contra o evento organizado por Pamela Geller. Elton Simpson Nasceu em Illinois e tinha um longo historial de participação em ações jihadistas.

Texas: ataque de que se desconfiava

Simpson não era, por isso, desconhecido da polícia americana: há cinco anos foi mesmo sentenciado com uma pena de três anos de prisão por ter mentido ao FBI quando negou ter entrado para o grupo Al Shabab – uma organização islâmica controlada pela polícia.

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Segundo a CNN, o ataque no Texas estava iminente e a polícia sabia disso, daí que o local estivesse repleto de forças policiais do SWAT devido ao risco que ela representava. No final do mês passado, um dos seguidores de Simpson, Mohammed Abdullahi Hassan – um americano que reside na Somália – comentou o evento nas redes sociais e escreveu “Quando é que eles vão aprender?”.

Além disso, elogiou o crime na sede do jornal satírico francês Charlie Hebdo e aconselhou a que os jihadistas americanos seguissem o exemplo dos terroristas que atacaram em França e que são agora considerados “soldados do Califado”.

An image depicting Nadir Soofi, one of the gunmen who attacked a venue that featured a contest to draw the Prophet Mohammed, is seen on a computer screen in the Pakistani capital Islamabad on May 6, 2015. Nadir Soofi, one of the gunmen who attacked a Texas venue hosting a contest to draw the Prophet Mohammed, was a charismatic "ladies' man" as a teenager, contemporaries from an elite Pakistani school told AFP May 6, 2015. Soofi, 34, and Elton Simpson were shot dead by police on May 3, 2015, as they tried to storm the controversial cartoon drawing event. AFP PHOTO / AAMIR QURESHI        (Photo credit should read AAMIR QURESHI/AFP/Getty Images)

Os dois atacantes foram elogiados pelos membros do Estado Islâmico, que chegaram a homenageá-los nas redes sociais. (Fotografia: Aamir Qureshi/ AFP/ Getty Images)

Redes sociais: uma ferramenta para a polícia

A troca de mensagens no Twitter levantou suspeitas ao FBI, que decidiu investigar os dois homens. Mas essa é uma operação de triagem cada vez mais difícil para a polícia, já que as manifestações a favor do Estado Islâmico têm-se tornado cada vez mais nas redes sociais. Como nem todas as contas representam uma ameaça ou apontam para ações violentas, saem da lista de prioridades da polícia. Foi o caso de Elton Simpson (e de Nadir Maid Soofi, de quem pouco se sabe): “há muitos como eles”, disse um membro do FBI em anonimato.

O jornal The Slatest escreve que o Estado Islâmico parece estar a substituir a Al Qaeda e outras organizaçõe na recruta de novos membros para o jihadismo. Na verdade, o Estado Islâmico parece ter implementado uma ação de marketing nas redes sociais com tal dimensão que se tornou quase uma marca: as pessoas partilham entre si os mesmos princípios, mas não precisam de fazer parte oficial da organização, explica o USA Today.

“Ao anunciar as suas ideologias numa propaganda divulgada em várias línguas, o grupo exalta e tira crédito dos atos terroristas praticados por simpatizantes de todo o mundo”, escreve o The New York Times. É nessa lógica que funcionam o Estado Islâmico e a Al Qaeda: “A primeira é mais popular, a segunda mais elitista” diz o co-autor do livro “Estado Islâmico: o Estado do Terror”, J. M. Berger.