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Num ano ainda marcado pela retração do mercado, que caiu 1%, as promoções ganharam força nas vendas da grande distribuição. Mais de um terço das compras realizadas no segmento alimentar, 36,7%, foram realizadas com produtos com algum tipo de desconto ou promoção. Esta percentagem, avançada pelo barómetro da APED (Associação Portuguesa das Empresas de Distribuição) compara com os 27,4% registados no ano anterior.

Para a secretária-geral da APED, o fenómeno das promoções, que está generalizado a todos os produtos, instalou-se como resposta à ameaça de deflação (queda dos preços), à medida que os operadores procuram incentivar o consumo em queda.

Ana Trigo de Morais admite que a política comercial mais agressiva da distribuição contribui para acentuar o fenómeno dos preços baixos. A ameaça de deflação, que considera ainda não estar ultrapassada, representa uma perda para todos os elementos da cadeia de produção. E quanto mais o retalhista vai atrás do consumidor, “entra-se num ciclo de queima de valor”. No entanto, sublinha que as promoções do setor não provocam esta tendência que atribui sobretudo a variáveis macroeconómicas como a descida do preço de petróleo e a falta de confiança dos consumidores.

Outro dos destaques negativos do comportamento dos consumidores foi a redução importante, de 4,5% do número de atos de compra, o que significa que os portugueses estão ir menos vezes às compras. Para Isabel Trigo de Morais, este número mostra uma contenção do consumo.

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As empresas da grande distribuição faturaram 18937 milhões de euros, uma queda de 1% que é sobretudo explicada pela descida dos preços. Este fenómeno foi mais acentuado no retalho alimentar, baixa de 1,2%, com o importante segmento dos bens perecíveis a recuar. O retalho não alimentar está a dar sinais de retoma depois de perdas muito acentuadas em anos recentes, puxado em particular pelos setores mais ligados à tecnologia e, em particular, às telecomunicações.

Smartphones e seus acessórios disparam

A venda de smartphones cresceu 52,3%, tendo atingido 306,5 milhões de euros, com os acessórios para estes equipamentos e para os computadores tablets a progredirem 25,9%, ultrapassando já a faturação associada à comercialização de telemóveis sem acesso à Internet. Os segmento de equipamentos para telemóveis foi o que mais cresceu no retalho não alimentar no ano passado, 38% para 382 milhões de euros. A responsável pela APED voltou aliás a criticar a lei da cópia privada, considerando que a nova taxa, que o governo insiste em aplicar sobre a difusão digital de conteúdos por dispositivo, é mais uma taxa criada “nas costas dos consumidores”.

Outro fenómeno destacado foi o forte salto das vendas das action camera (câmaras de ação), muito usadas para filmar a prática de desporto e aventura. Por causa deste fenómeno, a faturação de câmaras de vídeo subiu para 27% para quase dez milhões de euros. Outro produto vencedor foram os preparadores de alimentos, categoria que inclui os robots de cozinha, onde as vendas saltaram 20,6%.

Em sentido contrário, evoluíram as vendas de vestuário e combustível, com este último produto a ser afetado pela descida dos preços dos combustíveis.

Ainda com a tecnologia e a transição para a economia digital a marcar tendências, destaca-se o crescimento de 25% das vendas por correspondência e internet já no primeiro trimestre deste ano.

A perda relativa de peso das marcas próprias da distribuição para os fabricantes é outra das grandes tendências do consumo, que Ana Trigo de Morais explica com um maior esforço promocional e de orientação da oferta feito pelos fabricantes. A quota de mercado das chamadas marcas brancas recuou de 36,9% em 2013 para 34,6% no ano passado.