O primeiro-ministro admitiu esta quarta-feira que a greve de dez dias dos pilotos provocou custos pesados para a TAP e irá seguramente ter influência nas ofertas de compra da companhia. No entanto, Pedro Passos Coelho reafirmou que a privatização da TAP é importante para a companhia e para Portugal, independentemente dos valores, afirmando que a motivação do Governo é salvar a empresa e não fazer um encaixe financeiro.

À margem de uma cerimónia na Direção-Geral das Autarquias Locais, em Lisboa, questionado sobre se o Governo admite desistir desta venda caso as propostas sejam demasiado baixas, Pedro Passos Coelho começou por afirmar: “A TAP precisa de ser capitalizada: este é o aspeto de fundo que convém não ignorar. A empresa tem de ser capitalizada, e o Estado não o pode fazer.”

Questionado sobre se o plano de corte de custos e redimensionamento da TAP prevê a redução do número de trabalhadores, Passos Coelho assegura não ter indicação de um plano de despedimentos na empresa. O governo pediu à TAP para apresentar na próxima semana um plano para fazer face aos prejuízos causados pela greve e que foram estimados em 35 milhões de euros.

Passos Coelho sustentou que “o sucesso da privatização é importante para a companhia e para o país” e recusou que esteja em causa “uma teimosia” do executivo PSD/CDS-PP. Interrogado sobre se defende essa posição independentemente dos valores, respondeu: “Independentemente dos valores, no sentido em que, se nós não tivermos uma solução de privatização, a companhia, tal como está, não pode continuar. Não continuará.”

Antes, Passos Coelho voltou a argumentar que “o único enquadramento em que o Estado pode meter mais dinheiro na empresa é fazendo uma reestruturação ampla da empresa, que depende da aprovação da Comissão Europeia”.

Essa opção, alegou, “seguramente implicará, como implicou noutros países que seguiram esse caminho, um despedimento muito elevado, uma diminuição das rotas que hoje existem na companhia, uma diminuição do número de equipamentos utilizados e por aí fora”.

“Não creio que isso nos interesse. Não interessa à companhia, não interessa a Portugal, nem à economia portuguesa, nem aos portugueses. Portanto, o sucesso da privatização é importante para a companhia e para o país. Não é, digamos, uma teimosia nossa, não é porque nós simplesmente tivéssemos decidido que queríamos concluir este processo porque o iniciámos”, concluiu.

O prazo para entrega das propostas de compra 66% do capital da TAP termina na próxima sexta-feira. Entre os grupos apontados como interessados estão o dono da empresa brasileira Blue, David Neeleman, Gérman Efromovitch, Pais do Amaral e fundos de investimento.