Rádio Observador

Legislativas 2015

Assunção Cristas: “Estou ao serviço do CDS para o que for necessário”

573

Em entrevista, Assunção Cristas não foge à possibilidade de avançar para liderança do partido no pós-Portas. E não esquece Costa, o homem que quer repor tudo. Até a troika?, pergunta.

Observador

Autores
  • Maria João Avillez
  • Miguel Santos Carrapatoso

“Para mim foi claro que [depois de ter feito o relatório sobre a natalidade em 2007] estaria ao serviço do partido para aquilo que fosse necessário. Se for necessária para isso [para a liderança], também estarei”. Foi desta forma que Assunção Cristas, ministra da Agricultura e do Mar, respondeu às perguntas sobre a possibilidade de substituir Paulo Portas na liderança do CDS.

Em entrevista a Maria João Avillez, no Observador, a governante insistiu por diversas vezes que a possibilidade de assumir o comando dos democratas-cristãos é uma “matéria” que não a “ocupa, nem preocupa”. Ainda assim, e mesmo com todas as cautelas, Assunção Cristas não afastou por completo essa hipótese – preferiu empurrá-la para o futuro e para as mãos dos militantes do partido.

Aquilo que eu tenho dito sempre é: primeiro, não é uma questão que se coloque e, portanto, mais uma vez pragmaticamente, não me ocupa e não me preocupa. Segundo, se se colocar, é, antes de mais, uma questão para o próprio CDS e para os militantes do CDS, de quem é que acham relevante [para assumir a liderança]”.

Por enquanto, Assunção Cristas divide-se entre o gabinete de ministra e o cargo de vice-presidente do partido. Como o tempo não é de sobra, garante que não o desperdiça em criar “ruído” desnecessário, nem a lidar com “guerrinhas ou protagonismos”. “Não tenho paciência, [nem] tempo para isso”, explicou.

António Costa que repor tudo, até a troika

“Pragmática” a tratar com colegas do partido e de Governo, pragmática a falar da oposição e do líder socialista, Assunção Cristas não se escusou a comentar as posições assumidas pelo PS, a quem não poupou duras críticas. E também não esqueceu a herança de Sócrates.

Na minha perspetiva, o doutor António Costa cometeu um erro muito grande, que foi nunca ter feito uma revisão do que tinha corrido bem e do que tinha corrido mal na governação Sócrates. E não sendo capaz de fazer essa triagem, apresentou agora medidas que, contas feitas, não batem certo. A nossa pergunta e a nossa perplexidade é pensar: como é possível apresentar-se aos portugueses desta forma?”.

Mais: Assunção Cristas fez questão de lembrar que não é só o documento apresentado pela equipa de Mário Centeno que levanta muitas dúvidas. Também as ações de António Costa lhe fazem perguntar: “Onde é que isto vai dar?”. A ministra sabe a resposta: o destino é o mesmo de 2011, crise profunda e troika em Portugal. “O discurso do António Costa tem sido: vamos repor os salários, vamos repor as pensões, vamos repor o IRS, vamos repor não sei o quê, a pergunta é, eu diria, vamos também repor a troika?”.

Legislativas são para ganhar. E com maioria absoluta

Acertadas as agulhas entre PSD e CDS – um processo que demorou, mas que era necessário para criar uma parceria “sólida e para durar” -, Assunção Cristas acredita que a coligação tem tudo para ganhar as próximas eleições legislativas e para ganhar com maioria absoluta. E di-lo, mais uma vez, sem esquecer a oposição socialista, que tantas vezes anunciou a morte deste Governo.

A verdade é que [o Governo] conseguiu aquilo que, na altura, todos achavam impossível e com a oposição sempre a duvidar nas alturas mais críticas: [primeiro] era porque vinha aí o segundo resgate. Mas afinal já não era o segundo resgate, já era programa cautelar. E depois, já não foi programa cautelar. O que é que foi, então?”, questionou.

Ainda assim, o currículo de um Governo “que conseguiu tirar o país do buraco onde estava”, para Assunção Cristas, não basta. “Não se ganham as eleições com o passado. Só se ganham as eleições com o futuro”. E, por isso, a ministra pede um programa eleitoral “suficiente ambicioso” que possa “oferecer um horizonte de esperança e de melhoria de vida das pessoas”.

E, para aqueles que acusam o Governo de ter ido além da troika, a ministra da Agricultura fez questão de lembrar o quão “difícil” foi governar sob a “limitação da troika”. “As pessoas não sabem o que é que é trabalhar com a troika no país. A limitação que um Governo tem de, nós decidirmos coisas no Conselho de Ministros, e depois o pobre do engenheiro Carlos Moedas dizer ‘mas eu tenho de validar isto com a troika e a troika não deixa'”.

Assunção Cristas espera, por isso, que, depois de “quatro anos muito difíceis”, os portugueses consigam reconhecer “a experiência e a credibilidade” de uma coligação que “não vai prometer aquilo que não pode cumprir”.

O mar como o caminho para Portugal se tornar um líder mundial

Quando Assunção Cristas tomou posse como ministra da Agricultura, Mar, Ambiente e Ordenamento do Território, foram muitos que se questionaram se a vice-presidente do CDS teria experiência suficiente para acumular quatro pastas. Na entrevista, Cristas não fugiu à questão e admitiu que tal só foi possível com muita exigência própria, boas ajudas e muita delegação de matérias”.

No entanto, com o “verão quente” da coligação e a reformulação do Governo em 2013, Assunção Cristas passou a ser titular apenas das pastas da Agricultura e do Mar. Desafiada a comentar a perda de funções, a número 2 do CDS não escondeu que, inicialmente, lhe causou “alguma ligeira irritação”, só ultrapassada quando percebeu que era essa “a solução”.

Olhe, tive dois sentimentos, para ser totalmente honesta. O primeiro foi pensar: bolas, eu que fiz tanto esforço e que aprendi tantas coisas, isto agora… Podiam-me ter poupado a isto. Nesse sentido, um primeiro sentimento foi de alguma ligeira irritação.

O segundo, foi de perceber que, de facto, era a solução e portanto longe de mim estar a prejudicar qualquer solução que fosse necessária encontrar e foi pensar isto vai-me tornar a vida mais fácil. Passei a dedicar-me com mais profundidade a temas que anteriormente tinham de estar mais delegados aos secretário de Estado”, explicou.

O mar acabou por se tornar a grande aposta de Assunção Cristas e é no mar e na economia do mar que a ministra deposita as grandes expectativas de ver Portugal a crescer e a tornar-se um líder mundial. “No mar nós somos reconhecidos à partida, porque temos um passado, uma história que nos é apresentada e que faz parte da história universal”, começou por sublinhar Assunção Cristas.

As pessoas relacionam Portugal com o mar. Nós somos 18 vezes maior no mar do quem em terra e com o alargamento da plataforma continental que está [a ser discutido] nas Nações Unidas seremos 42 vezes maior em mar do que em terra. Portanto, faz sentido posicionarmo-nos mais virados para o mar”, explicou a ministra.

Esta será a grande bandeira de Assunção Cristas, mesmo não sabendo o que o futuro lhe reserva. Ainda assim, a ministra tem a forte convicção de que vai estar no Governo: a coligação vai ganhar as próximas eleições.

Não queremos ser todos iguais, pois não?

Maio de 2014, nasceu o Observador. Junho de 2019, nasceu a Rádio Observador.

Há cinco anos poucos acreditavam que era possível criar um novo jornal de qualidade em Portugal, ainda por cima só online. Foi possível. Agora chegou a vez da rádio, de novo construída em moldes que rompem com as rotinas e os hábitos estabelecidos.

Nestes anos o caminho do Observador foi feito sem compromissos. Nunca sacrificámos a procura do máximo rigor no nosso jornalismo, tal como nunca abdicámos de uma feroz independência, sem concessões. Ao mesmo tempo não fomos na onda – o Observador quis ser diferente dos outros órgãos de informação, porque não queremos ser todos iguais, nem pensar todos da mesma maneira, pois não?

Fizemos este caminho passo a passo, contando com os nossos leitores, que todos os meses são mais. E, desde há pouco mais de um ano, com os leitores que são também nossos assinantes. Cada novo passo que damos depende deles, pelo que não temos outra forma de o dizer – se é leitor do Observador, se gosta do Observador, se sente falta do Observador, se acha que o Observador é necessário para que mais ar fresco circule no espaço público da nossa democracia, então dê o pequeno passo de fazer uma assinatura.

Não custa nada – ou custa muito pouco. É só escolher a modalidade de assinaturas Premium que mais lhe convier.

Partilhe
Comente
Sugira
Proponha uma correção, sugira uma pista: observador@observador.pt
Pedro Passos Coelho

Quem tem medo de Passos Coelho?

Rui Ramos
1.960

Na história portuguesa, Passos Coelho foi o primeiro chefe de governo que, num ajustamento, não pôde dissimular os cortes com desvalorizações monetárias. Governou com a verdade. 

Só mais um passo

1
Registo
2
Pagamento
Sucesso

Detalhes da assinatura

Esta assinatura permite o acesso ilimitado a todos os artigos do Observador na Web e nas Apps. Os assinantes podem aceder aos artigos Premium utilizando até 3 dispositivos por utilizador.

Só mais um passo

1
Registo
2
Pagamento
Sucesso

Detalhes da assinatura

Esta assinatura permite o acesso ilimitado a todos os artigos do Observador na Web e nas Apps. Os assinantes podem aceder aos artigos Premium utilizando até 3 dispositivos por utilizador.

Só mais um passo

Confirme a sua conta

Para completar o seu registo, confirme a sua conta clicando no link do email que acabámos de lhe enviar. (Pode fechar esta janela.)