O presidente da Associação dos Indignados e Enganados do Papel Comercial (AIEPC) afirmou hoje que o Banco Central Europeu (BCE) “não está bem informado” sobre o que foi prometido pelo Banco de Portugal (BdP) aos clientes do GES.

Em declarações à agência Lusa, Ricardo Ângelo disse que o supervisor bancário europeu “não está contra uma solução” para os lesados do papel comercial do Grupo Espírito Santo (GES), mas “quer apenas uma solução que esteja dentro dos parâmetros jurídicos”, de forma a evitar a abertura de precedentes que possa ser usada em situações semelhantes.

Ou seja, a AIEPC frisou estar interessada “também numa solução jurídica, chamando-se solução comercial ou não”, desde que, segundo Ricardo Ângelo, “haja pagamento integral do montante do papel comercial, como o BdP e o Novo Banco sempre disseram até fevereiro deste ano”.

O Diário Económico noticiou hoje que o BCE exige ter uma palavra final em qualquer solução que venha a ser encontrada para os clientes que investiram em papel comercial do GES, enviando um email ao BdP e “não aceitando que o Novo Banco compense os investidores, dado que tal poria em causa a hierarquia de credores prevista nas regras europeias da resolução bancária”.

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Apesar desta imposição, o presidente da AIEPC observou que o BCE deve ouvir os lesados, até porque o supervisor europeu “não sabe das expectativas que foram criadas pelo BdP e pelo Novo Banco” sobre o assunto.

“Venderam-nos um produto falido e o BdP sabia disso. Isso é que é grave”, rematou Ricardo Ângelo.

São cerca de 2.500 os clientes do Novo Banco com papel comercial do GES no montante total de 527 milhões de euros.