A Associação Sindical dos Profissionais da Polícia quer que o comandante do Corpo de Intervenção (CI) da PSP esclareça a ordem dada aos elementos para não usarem equipamentos de proteção nos festejos dos adeptos benfiquistas em Lisboa.

O presidente da Associação Sindical dos Profissionais da Polícia (ASPP/PSP), Paulo Rodrigues, disse à agência Lusa que o sindicato vai pedir ao comandante do CI da PSP uma reunião para esclarecer a ordem dada aos polícias de choque para os festejos no Marquês de Pombal.

Segundo Paulo Rodrigues, a ASPP teve conhecimento, através de elementos do CI, que foi dada uma ordem superior para que não usassem o equipamento durante a operação policial montada para a festa do bicampeonato do Benfica.

Só depois do início dos confrontos é que os elementos do CI foram buscar, às carrinhas, os equipamentos, como caneleiras, proteções do dorso e braço, capacetes e escudo.

“Esta situação é estranha”, disse o presidente da ASPP, que é ele próprio elemento do CI, explicando que, desde 2004, os polícias do Corpo de Intervenção utilizam sempre o equipamento de ordem pública em eventos com a dimensão da festa que decorreu no domingo.

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Se a PSP não queria que os agentes do CI estivessem no Marquês de Pombal equipados com material de ordem pública e pretendia um policiamento apenas de visibilidade, deveria ter optado por mobilizar para o local polícias do patrulhamento e das Equipas de Intervenção Rápida (EIR), afirmou.

Se fosse necessário, acrescentou, os elementos do Corpo de Intervenção ficariam na retaguarda e intervinham.

Paulo Rodrigues sublinhou que não se pode utilizar no policiamento de visibilidade elementos do CI, cuja missão é repor a ordem pública.

Para o presidente da ASPP, “ainda mais se justificava” a utilização de material de proteção desde o início, uma vez que a PSP deu parecer negativo aos festejos.

Na segunda-feira, a direção nacional da PSP referiu que, durante o restabelecimento da ordem pública, ficaram feridos 16 polícias com escoriações devido ao arremesso de pedras, garrafas de vidro e material pirotécnico.

Paulo Rodrigues adiantou que há um elemento do CI que corre o risco de perder a visão, outro perdeu três dentes e um outro agente foi atingido com uma pedra nos órgãos genitais.

Paulo Rodrigues disse ainda que a ASPP vai hoje enviar um ofício à Câmara Municipal de Lisboa, questionando-a sobre o valor que a autarquia gastou com a segurança, tendo em conta que os polícias a fazer remunerados, no domingo à noite, eram um minoria e grande parte do dispositivo pertencia à Unidade Especial de Polícia, que não recebe pagamento extra.

Segundo a direção nacional da PSP, os incidentes no domingo começaram com alguns adeptos do Benfica a arremessar vários objetos, nomeadamente garrafas de vidro, o que levou a uma intervenção policial localizada para acabar com o incidente e evitar que se alastrasse e ganhasse maior dimensão.

No entanto, os intervenientes na rixa atiraram garrafas de vidro e outros objetos aos polícias, tendo a intervenção policial localizada, feita pelo efetivo presente no local, não conseguido cessar a desordem, pelo que foi necessário acionar reforços policiais e usar a força pública para restabelecer a ordem no local.