Foi há poucas semanas, em São Bento, que Passos Coelho começou a abrir caminho à renomeação de Carlos Costa como governador do Banco de Portugal. Com o mandato de cinco anos prestes a terminar, o primeiro-ministro aproveitou um pedido de audiência do presidente da Associação Portuguesa de Bancos para deixar clara a sua preferência.

Nesse dia, sabe o Observador, Passos disse aos principais banqueiros do país, à mesa de almoço, que sabia que estava a correr a informação de que o Governo tinha já preparada uma lista de potenciais sucessores. A referência era indireta, mas em dezembro o Expresso chegou a indicar dois nomes como prováveis: o primeiro era José de Matos, o atual presidente executivo da CGD e que já foi vice do Banco de Portugal; o segundo era o de António Varela, nomeado há meses pelo Governo precisamente para esse lugar no banco central.

O que Passos disse a seguir foi mais do que subliminar: que o Governo não tinha lista alguma. E que os presentes saberiam a sua opinião sobre o governador. Leia-se, que tinha feito um bom mandato, como o próprio Passos tinha dito numa entrevista à RTP.

Se até à altura do almoço, o mundo financeiro estava convencido de que Carlos Costa estava de saída – até por vontade do próprio, como dizia o Expresso na mesma edição de dezembro -, a verdade é que depois dele foram vários os banqueiros a vir elogiar o governador. Em alguns casos, até a incentivar a sua continuação no cargo. Caso de Fernando Ulrich, que lembrou há duas semanas os dossiês que estão por concluir, e que ganhariam em ter alguma continuidade: a venda do Novo Banco e o desenvolvimento da União Económica Bancária. Pelo meio, também Nuno Amado (do BCP) o fez.

Sem qualquer indicação de Carlos Costa de que não estaria disponível para continuar, Passos decidiu falar esta semana com Maria Luís Albuquerque sobre o assunto, combinando os passos a dar para a nova nomeação. E, segundo o Expresso Diário desta sexta-feira, a ministra das Finanças não se terá oposto à nomeação (nem Paulo Portas, vice-primeiro-ministro).

Se não houver imprevistos, a nomeação acontecerá dentro em breve. Provavelmente sob contestação do PS, que foi sempre crítico de Carlos Costa desde o processo do resgate português – e que acentuou muito as críticas depois da queda do BES.