A chanceler alemã Angela Merkel e o presidente francês François Hollande fizeram um pacto que levará à apresentação, na Cimeira Europeia a realizar em junho, de uma proposta de reforma das instituições europeias – no sentido de maior integração – sem que isso implique mudanças no Tratado Europeu. O objetivo é, também, isolar o recém-reeleito primeiro-ministro do Reino Unido, David Cameron, que fez campanha a exigir uma renegociação do Tratado de Lisboa.

O acordo entre Merkel e Hollande, noticiado em primeira mão pelo jornal francês Le Monde, lança as bases para um conjunto de reformas, “desenvolvidas no quadro dos tratados atuais, para os próximos anos”. A aposta de David Cameron passa por exigir mudanças no Tratado Europeu como moeda de troca para que o britânico desista da intenção de lançar um referendo à saída do Reino Unido da União Europeia.

O Guardian escreve que com este pacto franco-alemão, que deverá ser aprovado na cimeira em Bruxelas do próximo dia 25 de junho, Alemanha e França tentam vergar a insistência de David Cameron em reabrir o Tratado de Lisboa para que o Reino Unido recupere alguns poderes que, com a União Europeia, passaram para as mãos da Comissão Europeia.

Numa receção ao presidente da Comissão Europeia, Jean-Claude Juncker, na segunda-feira, “o primeiro-ministro sublinhou que o povo britânico não está satisfeito com a status quo e acredita que a União Europeia precisa de mudar para que as suas preocupações sejam mais respeitadas”, disse um porta-voz do governo britânico, citado pelo Guardian.

Já Juncker “reiterou que quer encontrar um acordo justo para o Reino Unido e que tentaria ajudar”, diz o mesmo porta-voz do governo britânico. Quem tomará as decisões sobre eventuais alterações à organização europeia não será, contudo, tanto Jean-Claude Juncker, mas os líderes políticos dos países da União Europeia.