A Moody’s olha com preocupação para o resultado das eleições autonómicas em Espanha, em que o PP de Mariano Rajoy perdeu todas as maiorias absolutas que tinha. A agência de rating teme que a situação política mais fragmentada pode levar a uma desaceleração das reformas que têm permitido à economia de Espanha crescer ao dobro do ritmo médio de expansão económica na zona euro.

“O ambiente político fluído em Espanha introduz alguns elementos de incerteza quanto à direção das políticas nos próximos anos”, escreve a Moody’s em nota publicada esta manhã de terça-feira, a que o Observador teve acesso. A agência de rating norte-americana esclarece que “ainda que não preveja uma alteração disruptiva das políticas económicas após as eleições legislativas [em dezembro], poderá tornar-se mais difícil aprovar legislação na próxima administração”.

É devido a esse receio que “existe um risco de um abrandamento no ímpeto das reformas que têm sido registado por este governo”, salienta a Moody’s, recordando que o crescimento económico – 0,9% no primeiro trimestre, segundo o Eurostat – continua a apoiar o “estreitamento do défice orçamental” e que “as reformas estruturais ajudaram Espanha a fortalecer as suas instituições, o sistema bancário e o mercado laboral”.

Ainda assim, a Moody’s salienta que “os níveis elevados de endividamento [público e privado] em Espanha continuam a representar uma limitação para o rating da dívida soberana, apesar das melhorias na situação económica do país”. O rácio de dívida pública deverá atingir o ponto mais alto em 2016, acima de 100% do PIB, estabilizando depois até 2018. Mas isto “assumindo uma continuação da recuperação económica e da consolidação orçamental”.

O Observador debruçou-se recentemente sobre a situação e sobre as perspetivas económicas em Espanha neste trabalho.

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