O presidente da Federação Portuguesa de Futebol (FPF), Fernando Gomes, afirmou que “a FIFA não pode ficar como está”, na sequência do escândalo que abalou o organismo que superintende o futebol mundial.

“Portugal subscreveu uma candidatura alternativa à do atual presidente da FIFA. Acreditámos e continuamos a acreditar que Luís Figo tem todas as condições para dirigir uma grande organização como a FIFA”, disse à agência Lusa o líder federativo.

De acordo com Fernando Gomes, a FPF revê-se nas declarações de Figo, que foi candidato à presidência da FIFA e depois renunciou, alegando que a eleição não era democrática.

“Revemo-nos naquilo que ele disse no momento em que denunciou o que entendeu denunciar. Os acontecimentos que se precipitaram nos últimos dias só reforçam o que Luís Figo afirmou. Não restem dúvidas. Foi ele quem sentiu na pele e teve a coragem de lutar e denunciar”, frisou Fernando Gomes.

A posição surge um dia depois de o Departamento de Justiça dos Estados Unidos ter indiciado nove dirigentes ou ex-dirigentes e cinco parceiros da FIFA, acusando-os de associação criminosa e corrupção nos últimos 24 anos, num caso em que estarão em causa subornos no valor de 151 milhões de dólares (quase 140 milhões de euros).

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Entre os acusados estão dois vice-presidentes da FIFA, o uruguaio Eugenio Figueredo e Jeffrey Webb, das Ilhas Caimão e que é também presidente da CONCACAF (Confederação de Futebol da América do Norte, Central e Caraíbas), assim como o paraguaio Nicolás Leoz, ex-presidente da Confederação da América do Sul (Conmebol).

Dos restantes dirigentes indiciados fazem parte o brasileiro José María Marín, membro do comité da FIFA para os Jogos Olímpicos Rio2016, o costarriquenho Eduardo Li, Jack Warner, de Trinidad e Tobago, o nicaraguense Júlio Rocha, o venezuelano Rafael Esquivel e Costas Takkas, das Ilhas Caimão.

A FIFA suspendeu provisoriamente 12 pessoas de toda a atividade ligada ao futebol: os nove dirigentes ou ex-dirigentes indiciados e ainda Daryll Warner, filho de Jack Warner, Aaron Davidson e Chuck Blazer, antigo homem forte do futebol dos Estados Unidos, ex-membro do Comité Executivo da FIFA e alegado informador da procuradoria norte-americana, que já esteve suspenso por fraude.

A acusação surge depois de o Ministério da Justiça e a polícia da Suíça terem detido Webb, Li, Rocha, Takkas, Figueredo, Esquivel e Marin na quarta-feira, num hotel de Zurique, a dois dias das eleições para a presidência da FIFA, à qual concorrem o atual presidente, o suíço Joseph Blatter, e Ali bin Al-Hussein, da Jordânia.

Simultaneamente, as autoridades suíças abriram uma investigação à atribuição dos Mundiais de 2018 e 2022 à Rússia e ao Qatar.