Conflito na Ucrânia

Ucrânia: “Grande ofensiva” dos rebeldes

Os separatistas pró-russos do leste da Ucrânia lançaram esta quarta-feira, segundo Kiev, uma "grande ofensiva" contra as posições ucranianas, deixando antever uma nova escalada do conflito.

ANTONIO LACERDA/EPA

Os separatistas pró-russos do leste da Ucrânia lançaram esta quarta-feira, segundo Kiev, uma “grande ofensiva” contra as posições ucranianas, deixando antever uma nova escalada do conflito, apesar do cessar-fogo declarado em meados de fevereiro.

Trata-se do maior ataque denunciado por Kiev desde a retomada pelos rebeldes do nó ferroviário estratégico de Debaltseve, a meio caminho dos bastiões rebeldes de Donetsk e Lugansk, pouco após a entrada em vigor do cessar-fogo a 15 de fevereiro, na sequência dos acordos de paz de Minsk.

A zona em causa, em torno de Mariinka, situa-se a cerca de 20 quilómetros de Donetsk.

“Pelas 4h00 (2h00 em Lisboa), os terroristas russos, em violação dos acordos de Minsk, lançaram uma grande ofensiva sobre as posições ucranianas”, indicou o Estado-Maior do Exército ucraniano em comunicado.

“O inimigo enviou na direção de Mariinka mais de dez tanques e até 1.000 homens contra as forças ucranianas”, acrescentou a mesma fonte.

O Estado-Maior indicou ainda que os soldados ucranianos conseguiram, até agora, repelir o ataque.

Mas tiveram de recorrer “à artilharia que se encontrava antes numa zona afastada, em conformidade com os acordos de paz de Minsk”, admitiu.

As armas de calibre superior a 100 milímetros teriam de ser retiradas da linha da frente, nos termos desses acordos.

Segundo Viatcheslav Abroskin, chefe da polícia da região de Donetsk, leal a Kiev, os rebeldes, além dos tanques, recorreram igualmente a lança-rockets múltiplos Grad, que também deveriam ter sido afastados da linha da frente.

As autoridades separatistas negaram ter lançado uma ofensiva, mas confirmaram haver combates em curso perto de Mariinka.

“Um civil foi morto e quatro ficaram feridos em Donetsk”, precisou um representante da autoproclamada República Popular de Donetsk (RPD), Eduard Bassurin, citado pela agência de notícias francesa, AFP.

Por sua vez, o “ministro” da Defesa da RPD, Vladimir Kononov, deu conta de 15 mortos, segundo uma agência oficial separatista. Não foi até agora possível confirmar este número.

Do lado ucraniano, um representante do departamento da Saúde da região de Donetsk, Volodymyr Kolessnik, indicou um balanço de seis civis e 11 soldados feridos em Mariinka.

Devido aos tiroteios, todos os postos de controlo entre a zona controlada pelos rebeldes e o território sob controlo de Kiev foram encerrados à circulação, bloqueando centenas de veículos.

Estas informações fazem temer que os acordos de Minsk, que visavam pôr fim a uma crise que conduziu a um confronto sem precedentes desde a Guerra Fria entre a Rússia e o Ocidente, se tornem letra morta.

A guerra no leste da Ucrânia fez, até agora, mais de 6.400 mortos desde que eclodiu, em abril de 2014. Kiev e o Ocidente acusam o Kremlin de apoiar e armar os separatistas pró-russos, o que Moscovo nega categoricamente.

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