O ministro dos Transportes espanhol, Óscar Puente, recusou esta sexta-feira demitir-se na sequência dos acidentes ferroviários de Adamuz e Urda, que provocaram um total de 115 mortos. O governante afirmou que a sua forma de assumir responsabilidades é “dar a cara” e que a prioridade é esclarecer o que aconteceu e recuperar a confiança dos passageiros no sistema ferroviário.

“O mais fácil para mim seria sair, mas isso não faz parte do meu carácter nem foi isso que o presidente [do Governo, Pedro Sánchez,] me pediu. A minha obrigação neste momento não é dedicar-me a falar da minha permanência no cargo, mas sim resolver o problema, esclarecer o que aconteceu e dar explicações claras e, acima de tudo, apresentar soluções“, afirmou numa conferência de imprensa, citada pelo El País.

Questionado sobre se a sua demissão poderia trazer algum conforto às vítimas e às famílias, Puente considerou tratar-se de uma questão “muito delicada”. “Não sei que nível de conforto pode proporcionar a uma vítima que eu me demita. Em que medida é que isso a reconforta se perdeu um filho, o pai, um irmão ou uma perna? Não sei se é relevante, sinceramente”, respondeu Puente.

O ministro garantiu ainda que não vai utilizar nenhum trabalhador do setor ferroviário como “escudo ou bode expiatório” e defendeu que a exigência de responsabilidades não deve ser confundida com a “necessidade de encontrar rapidamente um culpado”.

Sobre o acidente desta quarta-feira, em Toledo, Puente explicou que a investigação está a analisar uma falha no sistema de sinalização LZB, que interrompeu a transmissão de informação. Este tipo de ocorrência está previsto nos protocolos ferroviários e registou 170 episódios em Espanha desde o início do ano, adiantou o ministro.

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Puente afirmou que só ponderaria abandonar o cargo se o presidente do Governo espanhol, Pedro Sánchez, considerasse que se tinha tornado um obstáculo. “Agora a minha função é corrigir as falhas detetadas e recuperar a confiança dos utilizadores no caminho de ferro”, concluiu.

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