Rádio Observador

Governo

Ministra da Justiça acusada de fazer “afirmações falsas no Parlamento”

A ministra da Justiça é acusada pelo sindicato dos juízes de ter feito afirmações falsas no Parlamento acerca do Estatuto dos Juízes, o que se constitui como uma "grave ofensa e desconsideração".

“O que disse, como o disse e onde o disse, constitui uma grave ofensa aos juízes, uma desconsideração institucional dos juízes em geral e dos titulares dos órgãos mais elevados do sistema judicial” afirma a Associação Sindical dos Juízes Portugueses

MANUEL DE ALMEIDA/LUSA

A Associação Sindical dos Juízes Portugueses (ASJP) acusa a ministra da Justiça de ter feito afirmações falsas no parlamento sobre o Estatuto dos Juízes, considerando tratar-se de uma “grave ofensa e desconsideração institucional” para com os magistrados.

Numa carta aberta enviada a Paula Teixeira da Cruz, a que a Lusa teve acesso, a ASJP refere que, na comissão parlamentar de Assuntos Constitucionais, Direitos, Liberdades e Garantias, na passada quarta-feira, a ministra procurou “justificar o incumprimento do programa do Governo para 2015, na parte referente ao Estatuto dos Magistrados, atribuindo aos juízes uma proposta remuneratória absolutamente desenquadrada da realidade do nosso país”.

“É falso”, acrescenta a Associação. “O que disse, como o disse e onde o disse, constitui uma grave ofensa aos juízes, uma desconsideração institucional dos juízes em geral e dos titulares dos órgãos mais elevados do sistema judicial”, sublinha.

Na quarta-feira, a ministra afirmou que “tudo fará” para concluir o processo relativo aos Estatutos das Magistraturas, mas advertiu que é preciso baixar o patamar das “exigências” salariais.

“Farei tudo para concluir o processo, mas não posso concluir o processo se as exigências continuarem nestes patamares. Nem o país perceberia isto”, disse Paula Teixeira da Cruz na Comissão Parlamentar de Assuntos Constitucionais, Direitos, Liberdades e Garantias.

Durante a audição, Paula Teixeira da Cruz reconheceu a existência de dificuldades na aprovação dos Estatutos, revelando que na proposta que lhe foi apresentada havia subidas salariais de 3.000 para mais de 4.000 euros e nalguns casos de 7.000 para 9.000 euros, sem contar com os diversos subsídios, incluindo de transporte.

Na carta aberta e para “repor” a verdade dos factos, a ASJP acusa a ministra de ter posto em prática a reforma da organização judiciária “antes do tempo”, já que “muitos tribunais não tinham, nem têm instalações adequadas e suficientes.

A estes problemas – referem – acresce o facto de o sistema informático não estar preparado para a reforma operada, não haver funcionários de justiça suficientes, nem estar aprovada a legislação necessária para que a reforma entrasse em vigor na plenitude.

Ao referir que os juízes assumiram uma postura de colaboração na execução da reforma, a Associação Sindical sublinha que a aprovação do Estatuto dos Magistrados é “indispensável à implementação da reforma”.

A ASJP lembra que foi criado um grupo de trabalho para a revisão do Estatuto dos Magistrados, que integrou várias personalidades, incluindo o secretário de Estado da Justiça, que iniciou funções a 07 de maio de 2014 e que entregou o projeto de estatuto a 11 de dezembro de 2014.

“O alegado atraso na apresentação do projeto, a ter existido, só ao senhor secretário de Estado, que liderava o grupo (…), pode ser imputável, pois, naturalmente, cabia-lhe diligenciar pelo andamento célere dos trabalhos”, lê-se na carta enviada à ministra.

Acrescenta a associação que o projeto entregue pelo grupo de trabalho não é um projeto de revisão do estatuto remuneratório dos juízes, mas um projeto de revisão global do Estatuto dos Juízes, com modificações profundas “que visam compatibilizá-lo com a nova Lei Orgânica do Sistema Judiciário”.

O projeto “refletia essencialmente a preocupação de reforçar a independência dos juízes” e a “independência judicial (…) tem, também, uma componente remuneratória”, acrescenta a carta.

Na missiva, a ASJP sublinha ainda desconhecer qual a fonte dos valores apresentados pela ministra na comissão parlamentar, garantindo não serem do projeto apresentado pelo grupo de trabalho integrado pelos juízes.

Para a ASJP, a estrutura remuneratória dos juízes é “anacrónica e incompatível com princípios básicos aplicáveis a qualquer estrutura da carreira pública”, além de que a “promoção dos juízes aos tribunais superiores praticamente não tem reflexo na sua remuneração”.

A Associação desafia, assim, a ministra a divulgar o projeto de proposta de lei do Governo relativa ao Estatuto dos Magistrados Judiciais, colocando-o em “verdadeira discussão pública, ouvindo os Conselhos Superiores da Magistratura e dos Tribunais Administrativos e Fiscais, a ASJP e os grupos parlamentares”.

Desafia ainda a ministra a diligenciar pela aprovação do Estatuto em Conselho de Ministros e a agendar a respetiva proposta de lei para discussão no parlamento.

Não queremos ser todos iguais, pois não?

Maio de 2014, nasceu o Observador. Junho de 2019, nasceu a Rádio Observador.

Há cinco anos poucos acreditavam que era possível criar um novo jornal de qualidade em Portugal, ainda por cima só online. Foi possível. Agora chegou a vez da rádio, de novo construída em moldes que rompem com as rotinas e os hábitos estabelecidos.

Nestes anos o caminho do Observador foi feito sem compromissos. Nunca sacrificámos a procura do máximo rigor no nosso jornalismo, tal como nunca abdicámos de uma feroz independência, sem concessões. Ao mesmo tempo não fomos na onda – o Observador quis ser diferente dos outros órgãos de informação, porque não queremos ser todos iguais, nem pensar todos da mesma maneira, pois não?

Fizemos este caminho passo a passo, contando com os nossos leitores, que todos os meses são mais. E, desde há pouco mais de um ano, com os leitores que são também nossos assinantes. Cada novo passo que damos depende deles, pelo que não temos outra forma de o dizer – se é leitor do Observador, se gosta do Observador, se sente falta do Observador, se acha que o Observador é necessário para que mais ar fresco circule no espaço público da nossa democracia, então dê o pequeno passo de fazer uma assinatura.

Não custa nada – ou custa muito pouco. É só escolher a modalidade de assinaturas Premium que mais lhe convier.

Partilhe
Comente
Sugira
Proponha uma correção, sugira uma pista: observador@observador.pt
Socialismo

Má-fé socialista /premium

José Miguel Pinto dos Santos

Não é a situação social em Portugal muito melhor que na Venezuela — e que nos outros países socialistas? Sim, mas quem está mais avançado na implantação do socialismo, Portugal ou Venezuela?

Só mais um passo

1
Registo
2
Pagamento
Sucesso

Detalhes da assinatura

Esta assinatura permite o acesso ilimitado a todos os artigos do Observador na Web e nas Apps. Os assinantes podem aceder aos artigos Premium utilizando até 3 dispositivos por utilizador.

Só mais um passo

1
Registo
2
Pagamento
Sucesso

Detalhes da assinatura

Esta assinatura permite o acesso ilimitado a todos os artigos do Observador na Web e nas Apps. Os assinantes podem aceder aos artigos Premium utilizando até 3 dispositivos por utilizador.

Só mais um passo

Confirme a sua conta

Para completar o seu registo, confirme a sua conta clicando no link do email que acabámos de lhe enviar. (Pode fechar esta janela.)