Até há bem pouco tempo, comer lavagante era um ato próprio de uma ocasião muito especial. Pela raridade do produto, apenas disponível em marisqueiras de eleição, e pelo respetivo preço, que rondava, não raras vezes, a centena de euros por quilo. Mas, lentamente, o bicho tem vindo a democratizar-se. Seguindo uma tendência norte-americana, abriram nos últimos meses em Londres, por exemplo, alguns restaurantes informais especializados na matéria, casos de Lobster Kitchen, Smack ou Fraq’s Lobster Shack. E se nessas paragens há quem lhes chame casas de fast seafood, aqui, tendo em conta a formulação batida nestes casos, não seria de estranhar ouvir a designação ‘lavanganteria’.  

O recém-aberto Lob — Secrets & Lobster traz esse conceito até Lisboa. Não será, propriamente, uma ‘lavaganteria’, apesar de ser esse o seu produto estrela. Helena Nunes, a gerente e mentora, chama-lhe antes um deli take away, expressão inscrita nos diversos postais de promoção à casa. Ou seja, trata-se de um sítio que junta a informalidade de uma refeição rápida ao requinte de um produto raro neste contexto: o lavagante.

“Para mim, resume-se tudo numa frase: be simple“, diz Helena, cujo passado inclui passagens pela direção de contas de algumas das maiores agências de publicidade com escritório em Portugal, antes de se dedicar à pintura e reabilitação de casas. A ideia surgiu-lhe no Canadá, durante uma estadia relacionada com a sua atividade anterior. Quando regressou, convenceu as amigas Ana e Catarina Proença a alinharem nesta missão de democratização do lavagante e, voilá, nasceu, o Lob, aquilo que chamam “um projecto de afeto e emoção”.

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Helena destaca quatro fatores essenciais da casa: “a simplicidade, o sabor, a frescura do produto e a adaptação ao paladar nacional”. Os dois últimos revestem-se de particular importância. “Só trabalhamos com lavagante fresco, vindo do Mar do Norte, nada de congelados”, assegura Helena. A cozinha está, por isso, totalmente preparada para receber e tratar o produto, com aquilo a que chamam de “maquinaria infernal”.

A oferta, por sua vez, foi pensada para se adaptar ao que os portugueses querem e gostam. Tem o dedo — ou as mãos — da chef Leonor Manita, responsável pela vertente gastronómica do Station e que, antes disso, passou pelo Nobu londrino ou pelo Flores do Bairro Alto Hotel. A sanduíche Miss Diva (13,50€), com lavagante, cebolinho, manteiga de corais e limão, é a grande vedeta da carta. O L’bisque (3,50€), um creme aveludado de lavagante, foi aproximado ao tradicional creme de marisco nacional. Já a Green Lob (7,50€) é uma salada de lavagante com ovo cozido, tomate cherry, aipo, funcho e rabanetes. Mas nem só de lavagante vive o Lob. Também há, por exemplo, uma sanduíche de porco assado a baixa temperatura, de nome Piglento (8€), ou o Lob Curry (6,50€), um caril de camarão de receita familiar, servido com arroz de especiarias. As ‘lóbistas’, batatas fritas que acompanham as sanduíches, não infamam o produto. Muito pelo contrário.

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As criações da casa não se ficarão por aqui. “Vamos ter edições limitadas de outros pratos, queremos sempre inovar à volta do lavagante”, afirmam. E se, historicamente, o marisco vai sempre bem com cerveja — e não faltam artesanais nacionais disponíveis no Lob — quem preferir outro acompanhamento pode sempre arriscar na limonada (2€), que também é património familiar de Helena. Quem quiser apanhar a refeição e levá-la para outras paragens também o pode fazer — o take away é uma vertente importantíssima do Lob. “No início pensámos, inclusive, em ter uma food truck“, conta a responsável. Já quem pretender comer no local tem uma sala de refeições no primeiro andar com uma panorâmica de Lisboa impressa numa tela enorme. Até ajuda a abrir o apetite.

Nome: Lob — Lobster
Morada: Rua São Filipe Néri, 21 (Rato), Lisboa
Telefone: 21 598 7801 / 91 430 3635
Horário: De segunda a sábado das 12h00 às 20h00.
Preço Médio: 12€