A ministra das Finanças confirmou esta quinta-feira que os bancos centrais do eurosistema, Banco de Portugal incluído, estão a acompanhar o agudizar da crise grega. Maria Luís Albuquerque reafirma que o Eurogrupo não discutiu nenhum Plano B ao cenário cada vez mais improvável de um acordo com a Grécia, mas confirma que os bancos centrais estão a acompanhar a situação “com atenção”. E acrescenta que eventuais medidas que vieram a ser adotadas serão “nesse âmbito”.
A governante lembra, contudo, que se trata de um cenário de grande “incerteza e risco e que nunca foi testado” e reconhece que a situação está a “tornar-se mais dramática.”
Na conferência após a reunião dos ministros das finanças da moeda única, mais uma vez inconclusiva, Maria Luís Albuquerque afastou, contudo, o cenário de um plano específico para os países mais fragilizados da zona euro, também conhecidos como periféricos, onde se incluiria Portugal e a Irlanda. O ministro das finanças irlandês revelou que o país está a receber conselhos do BCE sobre a forma como se deve preparar para uma eventual saída grega da moeda única.
“Qualquer que seja o cenário, o projeto do euro, a credibilidade do euro, tem de sair reforçado.” Quando questionada sobre um eventual tratamento especial para países mais fracos, a ministra respondeu: “Em termos simples, quer dizer proteger a área euro como um todo e a questão dos países periféricos é uma consequência. O que é preciso proteger é o projeto do euro”.
Ainda sobre os impactos em Portugal do impasse que pode conduzir ao incumprimento grego, Maria Luís Albuquerque garantiu que isso não iria afetar o reembolso antecipado de 1800 milhões de euros ao Fundo Monetário Internacional (FMI). A ordem de pagamento já foi dada e o reembolso irá acontecer nos próximos dias.
E a intenção de Portugal de antecipar o pagamento de novas tranches do empréstimo? A ministra das Finanças adianta que o plano de reembolso a 30 meses mantém-se, mas admite que pode haver “ajustamentos” nas datas, “dependendo dessas (crise grega) ou outras circunstâncias de mercado”. De qualquer forma, Portugal só tem autorização para amortizar metade do empréstimo ao FMI antes do prazo e precisará da luz verde da Europa para reembolsar mais do que isso.
Sobre o financiamento de Portugal, Maria Luís repetiu a famosa frase: “Temos os cofres cheios, ainda que seja de dívida”. E assegura que a almofada financeira constituída pelo Tesouro português permite enfrentar com tranquilidade “eventos mais desfavoráveis no mercado”, num prazo razoável.
Mais desalento que irritação no Eurogrupo
Sobre o tema quente da reunião desta quinta-feira, a ministra das Finanças confirmou o impasse negocial e diz que o Eurogrupo voltou a passar a mensagem de que a “bola está no campo dos gregos”. Maria Luís Albuquerque descreveu um ambiente tenso, mais mais de “frustração e desalento” do que de irritação e reconheceu que as hipóteses de um desfecho positivo amanhã (na reunião do Ecofin que junta todos os ministros europeus) são baixas. Disse ainda que já não há tempo de um eventual acordo permitir o desembolso da ajuda financeira à Grécia até ao final de junho, data em que o país tem de reembolsar o FMI. Ainda que, em caso de acordo, pudesse ser encontrada uma solução que permitisse maior rapidez na entrega de fundos.