Otávio Azevedo, presidente do conselho de administração da Andrade Gutierrez, uma das principais acionistas da Oi, e ex-administrador da PT, foi detido esta sexta-feira em São Paulo, no Brasil. A detenção ocorreu na sequência da operação Lava Jato, avança a imprensa brasileira.

De acordo com o Globo, para além de Otávio Azevedo, foram ainda detidos Paulo Dalmaso e Elton Negrão, ambos da Andrade Gutierrez. Segundo o Valor Econômico, Azevedo foi apontado por Paulo Roberto da Costa, ex-diretor de abastecimento da Petrobas, como estando envolvido no pagamento de subornos ao Partido do Movimento Democrático Brasileiro (PMDB) e ao Partido Pogressista (PP), por intermédio de Fernando Soares, conhecido por Fernando “Baiano”. “Baiano” está preso desde dezembro do ano passado, acusado também de suborno.

Ainda de acordo com o Valor Econômico, Fernando “Baiano” terá depositado 3,51 milhões de euros numa conta no estrangeiro. Desse valor, entre 1,75 e 2,19 milhões corresponderiam ao suborno pago pela Andrade Gutierrez.

A operação, levada a cabo pela Polícia Federal brasileira em quatro cidades distintas, teve também como alvo a sede da Odebrecht, detentora da construtora Bento Pedroso, também em São Paulo. As buscas realizadas na sede da construtora pretendiam encontrar documentos e outras informações que pudessem ser úteis às investigações realizadas na sequência da operação Lava Jato que, de acordo com o Globo, entrou agora na sua 14ª fase.

Para além dos executivos da Andrade Gutierrez, foram também detidos Marcelo Odebrecht, presidente da empresa, Márcio Farias e Rogério Araújo. Os investigadores pediram a prisão dos executivos da Odebrecht com base em indícios de que a empresa pagou subornos ao ex-diretor da Petrobras Paulo Roberto Costa, entre outros, no exterior. Paulo Roberto disse ter recebido mais de 20.17€ milhões da Odebrecht na Suíça. O suborno terá sido pago também por intermediários.

Existem ainda suspeitas de que os executivos da construtora tentaram destruir as provas e desvincular-se das empresas que seriam usadas para movimentar os montantes.

Numa nota, a Odebrecht considerou os mandados “desnecessários, uma vez que a empresa e os seus executivos sempre estiveram à disposição das autoridades para colaborar com as investigações, desde o início da operação Lava-Jato”.

A operação envolveu 220 agentes da Polícia Federal, que cumpriram um total de 59 mandados judiciais — 38 de busca, 9 de condução coerciva, 8 de prisão preventiva e 4 de prisão temporária. Os mandados dizem respeito às cidades de São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais e Rio Grande do Sul.