Os bancos gregos mantêm-se abertos, hoje, mas nada garante que nos próximos dias o cenário não seja diferente. Desde o início da semana, os gregos têm protagonizado uma corrida acelerada aos depósitos, tendo já sido retirados dos bancos cerca de dois mil milhões de euros, segundo a Reuters. Só na quarta-feira, véspera da reunião do Eurogrupo, foram levantados mil milhões, valor recorde para um só dia, e entre quinta e esta sexta-feira, depois de mais um passo em falso na tentativa de chegar a um acordo que mantenha a Grécia no euro, a tendência tem sido para piorar. O que vai acontecer à banca grega? “Na sexta-feira os bancos abrem, mas na segunda já não sei”, terá dito Benoît Coeure, membro executivo do BCE, à saída do Eurogrupo. O alarme disparou.

Os números associados à fuga de capitais dos últimos dias, motivada pelo medo dos cidadãos de que a Grécia esteja prestes a entrar na bancarrota, são alarmantes, na medida em que representam mais do dobro do financiamento de emergência concedido pelo BCE só na quarta-feira ao abrigo da linha de emergência financeira (ELA). De acordo com a Bloomberg, o alarme da fuga de capitais da banca já levou mesmo o Banco da Grécia a pedir ao BCE um aumento do teto do financiamento via ELA. Mas nada garante que os bancos fiquem a salvo e que consigam manter a liquidez.

Segundo fontes citadas pela Reuters, o Banco Central Europeu marcou, entretanto, uma videoconferência de emergência para esta sexta-feira (a segunda em três dias) para discutir a extensão da linha de emergência financeira aos bancos gregos.

É que, se a fuga de capitais continuar a ultrapassar o valor concedido pelo BCE através da ELA, tal pode obrigar a Grécia a impor controlo de capitais já nos próximos dias, como o Chipre fez em 2013 para travar a corrida aos bancos e para racionalizar os levantamentos de dinheiro. Os dois mil milhões de euros que foram levantados em apenas três dias e que fizeram soar as campainhas de alarme representam, segundo a Reuters, cerca de 1.5% do total de 133.6 mil milhões de euros detidos pela banca grega no final de abril, entre depósitos familiares e de empresas.

Os bancos gregos já receberam duas injeções de capital nos últimos dois anos, mas parece cada vez mais evidente que possam vir a precisar de uma terceira: à medida em que as negociações entre o Governo e os credores falham, os cofres esvaziam-se e os bancos ficam sem crédito para fazer empréstimos. Segundo a Bloomberg, mesmo que a Grécia chegue a acordo com os credores para desbloquear a tranche do programa, o próximo passe deverá sempre incluir um novo fundo de financiamento para os quatro maiores bancos, Banco Nacional da Grécia, Banco Piraeus, Banco Alpha e Eurobank Ergasias, que representam 91% dos ativos bancários do país.

O presidente do Eurogrupo, Jeroen Dijsselbloem, já deixou o recado ao Governo grego para agir “rapidamente” no sentido de restaurar a confiança dos cidadãos e parar a hemorragia dos depósitos: “É um sinal muito preocupante para o futuro”, disse, ressalvando que “pode-se lidar com o problema, mas tem de ser muito rapidamente”.