A missão das Nações Unidas na República Centro-Africana (Minusca) foi informada de acusações de abusos sexuais cometidos pelos capacetes azuis “contra crianças de rua em Bangui”, indicou nesta terça-feira o porta-voz da ONU Stéphane Dujarric. Os abusos foram cometidos por “um dos contingentes” da Minusca, acrescentou o porta-voz, mas sem revelar qual. Os factos “poderão remontar a 2014”, mas só foram atribuídos à Minusca a 19 de junho, acrescentou.

Outra fonte da ONU, citada pela agência France Presse, disse tratar-se de “um contingente africano”. A ONU está a verificar estas acusações e “vai fornecer apoio às vítimas”, disse Dujarric, precisando que o país do qual é originário o contingente suspeito foi advertido a 20 de junho. “Esperamos que [o país em causa] investigue e que nos mantenha a par” e que “haja rapidamente”, acrescentou o responsável.

Num relatório entregue há uma semana ao secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, a comissão propôs que não sejam aceites sob a bandeira das Nações Unidas tropas de países assinalados em documentos da organização sobre violência contra crianças e de tipo sexual em conflitos armados.

Estas declarações surgem depois de a ONU ter publicado um relatório, no qual é destacada a cultura de impunidade existente perante abusos cometidos por pessoal das missões de paz. O texto indica, entre outros casos, que efetivos da ONU mantiveram relações sexuais com mais de 225 mulheres no Haiti em troca de medicamentos ou alimentos. As situações repetiram-se em países como a Libéria e o Sudão do Sul.

Os dados sobre estes casos, anteriormente denunciados, juntam-se às denúncias recentes de abusos sexuais cometidos por tropas internacionais na República Centro-Africana entre 2013 e 2014. As denúncias referem-se a efetivos militares franceses que não atuavam sob bandeira da ONU, mas também a tropas de vários países africanos que integravam o contingente dos “capacetes azuis”, o que levou a organização a criar uma comissão de investigação.