Ou se baixa a Taxa Social Única (TSU) de forma seletiva e significativa, ou então não vale a pena mexer nesta contribuição. É esta a ideia defendida pelo presidente da Confederação Empresarial de Portugal (CIP), em entrevista ao Diário Económico.

A CIP vai estar em congresso esta quinta e sexta-feira. Desta reunião vão surgir as propostas que a confederação dos patrões vai apresentar ao próximo governo.

“A redução de um ponto percentual na TSU equivale a cerca de 400 milhões de euros. Por isso, temos defendido que, ao invés de ser universal, a descida deve ser seletiva”, disse ao Económico, sugerindo também que a diferenciação incida “em determinados setores e, dentro desses setores, nas empresas produtoras de bens e serviços transacionáveis e mais expostos à concorrência internacional”.

Ainda assim, António Saraiva chega até a desvalorizar uma mexida na TSU quando comparada com outras medidas: “Provavelmente, em discussão em sede de concertação social, chegaremos à conclusão que é melhor adiar a discussão da redução da TSU e obter outros ganhos noutros fatores de competitividade”.

Outra proposta que deverá sair do congresso da CIP é a retirada de limites ao número de revogações de contratos de trabalho por mútuo acordo com acesso ao desemprego. António Saraiva defendeu ao Económico que a atual lei “potencia o recurso ao despedimento coletivo, com a inerente litigiosidade”. Estas “limitações”, disse o presidente da CIP, são “um verdadeiro bloqueio à utilização desse importante instrumento de flexibilidade”.