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Estas são as histórias chocantes de quatro jovens que, vivendo em diferentes partes do mundo, escaparam de dois grupos terroristas islamitas distintos: o Estado Islâmico (EI) (na Síria e Iraque) e o Boko Haram (na África ocidental). As histórias, reveladas nos últimos dias à BBC, unem-se pelo terror das atrocidades cometidas e pela coragem que as levou a fugir.

Três das raparigas – membros da comunidade religiosa curda yazidi –, foram levadas pelo EI e mantidas como escravas sexuais, sendo “violadas cinco vezes por dia”, revelou Bushra de 20 anos. Em revelações igualmente dramáticas, Miriam, de 17 anos, conta também a sua história: como escapou e sobreviveu às atrocidades do grupo terrorista islamita Boko Haram.

Quando o Estado Islâmico invadiu o local onde estava o seu povo, “separaram os homens das mulheres e das crianças, levaram-nos e dispararam sobre eles. Tenho sete irmãos, um deles conseguiu escapar. Os outros seis ainda estão desaparecidos. A minha mãe foi levada com outras 70 mulheres mais velhas. Vimos uma escavadora e ouvimos tiros”, conta Noor, de 21 anos.

Munira, com apenas 16 anos de idade revelou também como decorria o processo de seleção e onde os soldados do EI escolhiam as suas mulheres. “Os comandantes do EI tinham entre 50 e 70 anos. Eu tinha 15 anos quando fui escolhida por um comandante. Disse que as raparigas mais novas eram melhores que as mais velhas. Normalmente escolhem as mais bonitas e as mais jovens para eles”.

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Mas depois, fartou-se dela e terá dito que ela o “aborrecia” e que “queria outra”. Depois, foi novamente vendida a outro soldado do EI que também a violou e que a voltou a revender. “Se não tivesse escapado, tinha-me vendido também”, revela. Durante o cativeiro, as jovens eram espancadas e violadas diariamente até conseguirem escapar. Noor já tinha tentado escapar no passado, mas foi apanhada pelo seu captor. “[Ele] e os seus guardas espancaram-me e queimaram-me com cigarros.”

Quando questionadas pela BBC sobre que conselho dariam às jovens que pensam fugir para o Estado Islâmico, com as promessas de “uma casa bonita, um marido, dinheiro, e tudo o que uma rapariga de 15 anos desejaria”, Munira responde: “A minha mensagem é: não vão. Serão violadas, espancadas e vendidas a outros homens. São criminosos.”

Boko Haram: um relato do outro califado do terror

Miriam, sequestrada pelo Boko Haram durante seis meses em 2014, foi obrigada a casar-se com um combatente que a violava repetidamente, tendo engravidado. “As pessoas consideram-me uma marginal. Lembram-me que tenho um Boko Haram dentro de mim. Chamam-me nomes na rua, dizem me coisas”, revelou à BBC.

Foi raptada pelo grupo terrorista no ano passado, tendo sido levada para uma casa e fechada num pequeno quarto com outras 40 mulheres. Primeiro recusou-se a casar-se, mas aceitou após soldados do grupo terem degolado quatro homens à sua frente, para a forçar.

Depois de uma tentativa de fuga falhada, um dia foi deixada em casa sozinha. O soldado com quem tinha casado, saíra. Miriam não hesitou e correu o mais que pode até chegar a sua casa. Mas antes de fugir, levou consigo o cartão SIM do telemóvel do homem com quem tinha sido forçada a casar-se. No cartão estavam gravados vídeos de pessoas a serem incendiadas, decapitações e cadáveres nas ruas. Agora vive sozinha com a sua mãe, “todos os homens da minha família estão mortos”.