Os catalães – e a grande generalidade dos espanhóis – não acreditam que a independência da Catalunha possa acontecer num futuro próximo. De acordo com uma sondagem do Metroscopia e do jornal espanhol El País, 63% dos catalães e 82% dos espanhóis veem como altamente improvável ou mesmo impossível que a independência da comunidade autónoma possa, de facto, acontecer nos próximos tempos.

Entendimento diferente tem Artur Mas. O presidente do governo autónomo da Catalunha tem assumido, em diversas ocasiões, o objetivo de tornar a Catalunha independente até 2017, mesmo que isso signifique uma declaração unilateral de independência.

As próximas eleições regionais de 27 de setembro poderão, por isso, ser decisivas para o futuro da Catalunha e de Espanha. Com o cenário de vitória como horizonte, a coligação independentista Juntos pelo Sim já ameaçou que, a qualquer sinal de que Madrid pode estar a tentar bloquear o processo de secessão, vai mesmo avançar com a declaração unilateral de independência.

Prova de que as ameaças dos independentistas são para ser levadas a sério foram as declarações de Raul Romeva, cabeça de lista da coligação, na apresentação da lista de candidatos. O antigo eurodeputado afirmou que “se no processo [de secessão] o Estado espanhol, através de decisões jurídicas ou políticas, bloquear o ‘autogoverno’ da Catalunha, do governo ou do parlamento catalão, avançaremos com uma declaração de independência”. Romeva não deixou margem para dúvidas: “Vamos apostar tudo. Não há qualquer margem [de recuo]. Isto é a sério”.

A coligação Juntos pelo Sim quer começar já em setembro a preparar o caminho para a independência da Catalunha, através da criação de instituições estatais, como uma administração fiscal. O processo só deverá estar terminado em 2017, numa região com 7,5 milhões habitantes e que representa 20% do PIB espanhol.

Adivinha-se, por isso, um intenso braço de ferro entre Artur Mas e Mariano Rajoy, que já garantiu que não há qualquer hipótese de a Catalunha vir a ter a independência. Nem que, para isso, Madrid tenha de suspender a autonomia catalã. Foi isso mesmo que o ministro da Justiça espanhol, Rafael Catalá, admitiu em entrevista ao jornal ABC. “Esta possibilidade existe na Constituição e por consequência é uma das alternativas a que se pode recorrer”, começou por dizer, antes de acrescentar: “Espero que nunca tenhamos de chegar aí”.

Mas, de acordo com o jornal El Mundo, Mariano Rajoy tem toda a máquina do Estado mobilizada para “esmagar” as pretensões de Artur Mas e retirar a autonomia à Catalunha, em caso de violação da lei. O primeiro-ministro espanhol terá, inclusive, analisado esse cenário e as suas consequências a todos os níveis: “económico, internacional, político e social”.

Perante uma derrota quase certa de Alicia Sánchez-Camacho, líder do Partido Popular na Catalunha, Mariano Rajoy não quer deixar nenhuma ponta solta: o espanhol quer estar “absolutamente preparado” para lidar com o problema e garantir que a Catalunha continua a fazer parte de Espanha.