Casamento. Muitos tremem só de ouvir a palavra, não só pelo peso do compromisso mas pelos mitos que o rodeiam. Há quem conheça casais que namoraram muitos anos e que acabaram por se separar pouco tempo depois de terem casado, há quem defenda que nem toda a gente reage bem ao peso de dar o nó e há quem simplesmente não tenha nascido para casar.

Os tempos mudaram e trocar alianças não significa que a mulher se torne propriedade do marido nem que a felicidade, o sexo e a convivência se tornem insuportáveis. A Bustle reuniu os cinco maiores mitos em torno do casamento e provou que não passam disso mesmo: mitos.

1. Casamento é sinónimo de menos sexo

Este mito pressupõe que assim que os membros do casal dizem “sim” um ao outro, vistam o pijama, instalem-se no sofá e passem o resto das vidas nisto. Mas a verdade é que as pessoas casadas têm mais sexo do que as que não o são — e não é só durante a lua-de-mel.

Em 2010, investigadores do Kinsey Institute compararam o número de relações sexuais praticadas por mulheres no caso de serem solteiras, estarem numa relação ou serem casadas, e chegaram à conclusão de que 24 por cento das solteiras com idades compreendidas entre os 25 e os 29 disse ter relações sexuais “algumas vezes por mês ou por semana”, mas 43 por cento admitiu que não tinha relações sexuais há um ano. Já 35,2 por cento das mulheres casadas da mesma faixa etária disse que tinha relações sexuais duas a três vezes por semana. Com as mais velhas, aconteceu o mesmo: na faixa etária dos 40 aos 45 anos, 46,6 por cento das mulheres casadas disse ter relações sexuais todas as semanas, uma percentagem que nem as mulheres que namoravam conseguiram ultrapassar.

2. Ter filhos traz felicidade aos casados

A ideia de que as crianças aproximam os pais esconde-se por trás do mito de que os filhos salvam casamentos. No entanto, um estudo publicado este mês veio provar exatamente o contrário. O primeiro filho coloca mais pressão emocional num casamento do que o divórcio ou o desemprego de longa duração.

Feito por canadianos, o estudo mostrou uma queda na felicidade matrimonial após o nascimento do primeiro bebé. Perante os resultados, os investigadores colocaram a hipótese de que a difícil transição para a paternidade é uma das razões pelas quais as pessoas de países desenvolvidos têm menos filhos do que aqueles que queriam inicialmente.

3. Casais felizes não discutem

Um estudo feito ao longo de 20 anos, de 1980 a 2000, analisou milhares de casais e os seus níveis de conflito e concluiu que a quantidade de discussões que um casal tem no início do seu casamento mantém-se igual ao longo do tempo. Se gosta muito de discutir, isso não vai mudar. Mas ter um casamento onde nunca há discussões não é sinónimo de que vá durar para sempre — segundo a ciência, está tudo na forma como discute.

Um outro estudo sobre discussões, feito em 1989, concluiu que dar prioridade à paz e não resolver os problemas prejudica muito mais um casamento a longo prazo. Os casais que estão para durar sabem discutir bem, ou seja, são respeitadores, não ofendem e não atiram coisas à cara. E quando as coisas correm mal, são capazes de lidar com a situação sem serem agressivos um com o outro, conseguindo chegar às mudanças desejadas.

4. Casamento é o mesmo que morar juntos

Há pessoas que dizem que o casamento não significa nada e que é como morar na mesma casa mas com um papel assinado. No entanto, as estatísticas não apoiam esta teoria. De acordo com um estudo feito em 2010 no Reino Unido, 80 por cento dos casais que casaram em 1991 continuavam casados em 2001 e apenas 60 por cento dos casais que moravam em união de facto ficaram juntos tanto tempo. Talvez este fenómeno se deva ao facto de atualmente as pessoas irem morar juntas depressa demais, às vezes sem pensar muito num futuro conjunto, mas não deixa de ser uma prova de que o casamento é mais permanente.

5. Partilhar casa antes do casamento torna a relação mais feliz

Ir viver junto antes do casamento (ou em vez do casamento) é o mais comum hoje em dia. De acordo com estatísticas de 2010, 48 por cento das mulheres hetero com idades entre os 15 e os 44 anos disse já ter vivido com o parceiro antes de casar (em 1995, apenas 34 por cento das mulheres admitiu o mesmo). Mas partilhar casa antes do casamento é tão importante como as pessoas dizem? É um facto que serve para começar a conhecer as taras e manias do seu parceiro antes de subir ao altar, mas pode não ser o ideal para a relação.

Estatísticas recolhidas pela U.S. Attorney Legal Services mostram que o divórcio é mais provável nos casais que antes moraram juntos — a probabilidade é 33 por cento maior. Já um estudo feito em 2014 e que saiu na The Atlantic assume que o culpado pode não ser a coabitação, mas a idade. Se coabitar com o seu parceiro e/ou casar antes dos 23 anos, as hipóteses de se divorciar andam nos 60 por cento, mas se esperar até aos 23 ou mais para dividir a mesma morada ou assumir outro compromisso, essa probabilidade desce 30 por cento.