Legislativas 2015

Portas: “Se o PS fosse governo o BES tinha sido nacionalizado”

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Portas assinaria, se necessário, a subscrição pelos lesados do BES. Mas aponta o dedo ao PS, que teria "nacionalizado" o banco. Sobre o irrevogável, reafirma: "Portugueses vão-me julgar por isso".

Carlos Manuel Martins

Paulo, como Pedro, também assinará uma eventual subscrição pública para ajudar os lesados do BES. “Se vier a ser necessário, sim, com certeza”, respondeu Paulo Portas esta segunda-feira, em entrevista à RTP, questionado sobre se iria atrás da ideia sugerida este fim de semana por Pedro Passos Coelho. Sobre o envolvimento, ou não, do Governo no fundo de resolução do BES e nos prejuízos que possam advir da venda do Novo Banco, Portas lavou daí as mãos do governo PSD/CDS e sujou as de um eventual governo PS: “Nós tomámos as opções certas, se o PS fosse governo o BES tinha sido nacionalizado”, disse.

Não se trata de lavar as mãos, nós tomámos as opções certas. Se o PS fosse Governo o BES tinha sido nacionalizado, ou a Caixa Geral de Depósitos tinha entrado, como já aconteceu no passado, a apoiar uns grupos privados contra outros grupos privados”, disse.

E voltou, mais à frente, a reforçar a ideia. Ao afirmar que o modelo de resolução “não é perfeito, mas é o melhor”, Portas voltou a defender que em caso de prejuízos, quem é chamado a pagar é, primeiro, o accionista e, depois, o sistema financeiro – o que, na sua opinião, “protege muito mais o contribuinte”. Em oposição, “se o PS fosse governo nacionalizava o Novo Banco como fez com o BPN. Nós temos outra visão”, voltou a dizer, adivinhando uma posição do PS sobre o tema. Apesar das críticas ao modelo, o PS nunca chegou a dizer claramente o que faria num cenário hipotético de governação – nem sobre o que faria em relação aos lesados do papel comercial do BES.

Sobre os lesados, e sobre a sugestão de Passos Coelho de os ajudar a serem indemnizados através de uma subscrição pública, Portas saiu em defesa do parceiro de coligação dizendo que “ele não colocou a questão bem assim, disse que assinaria se fosse necessário”. E lembrou que já várias pessoas entraram na justiça para reaverem o seu dinheiro. De resto, Portas voltou a criticar a falta de colaboração entre Banco de Portugal e CMVM na tentativa de solucionar o problema.

A segurança social foi outro dos temas incontornáveis na entrevista de apenas meia hora à RTP, com Paulo Portas a recusar esclarecer onde vai a coligação buscar os 600 milhões de euros (ou menos do que isso, segundo Portas) a que se comprometeu no Programa de Estabilidade entregue em Bruxelas, deixando apenas as quatro garantias habituais: o buraco será tapado em “respeito pelas directrizes do TC”, “em concertação social”, “procurando acordo com o maior partido da oposição” e “na certeza de que esse acordo não passa por corte nas pensões a pagamento”. “Esta é a nossa palavra, o nosso compromisso”, disse, defendendo o modelo de plafonamento da coligação – que não é nenhum “papão” nem nenhum “fantasma”.

Refugiados não são números

Sobre o tema do dia, do número de refugiados que Portugal vai acolher no futuro, Portas limitou-se a dizer que Portugal “cumprirá o acordo europeu”, não querendo no entanto detalhar números por não estarem ainda fechados em Bruxelas. 1500 são certos, mas o número “será certamente superior”.

Mais do que números, no entanto, Portas deixou claro que o assunto diz respeito a “pessoas” e a valores mais altos da Europa. “Estamos a falar de refugiados de guerra, de pessoas. Acho que a Europa nasceu com valores, e esses valores inspirados no humanismo cristão e laico não permitem à Europa não responder a esta que é a maior crise humanitária que já viveu”, disse.

E defendeu que o Estado português deve gerir o acolhimento dos refugiados com a “sociedade civil” e “dentro das nossas possibilidades”. Mas sem virar costas. “Sejamos europeus no melhor sentido, façamos com ordem e segurança, mas saibamos responder”, instou.

Apelando à “estabilidade”, que por sua vez dá “confiança”, que traz “investimento”, que por sua vez “cria emprego”, o líder do CDS e número dois da coligação voltou a falar sobre o episódio da sua demissão “irrevogável” no verão de 2013 e admitiu que os portugueses o iriam “julgar” por isso no dia 4 de outubro. “Os portugueses avaliar-me-ão por isso e por tudo o que fizemos na economia. Hão de me julgar por muitas coisas e eu aceitarei sempre o julgamento”, disse.

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