O Presidente francês, François Hollande, disse esta quinta-feira que a cimeira dos líderes europeus, a realizar na próxima quarta-feira, servirá também para ajudar a Turquia a assegurar que os refugiados permanecem no país, enquanto se resolve o conflito na Síria.

Durante a cimeira extraordinária da União Europeia, hoje convocada, os líderes europeus deverão “trabalhar com a Turquia” para garantir que os “refugiados lá possam permanecer, trabalhar e esperar, até que a situação na Síria se resolva”, disse François Hollande.

O chefe de Estado francês falava em conferência de imprensa conjunta com o primeiro-ministro italiano, Matteo Renzi.

Além da assistência à Turquia, François Hollande explicou que durante a cimeira vão também ser criados centros de acolhimento, para registar pedidos de asilo, e de reencaminhamento, para pessoas que não reúnam as condições para ter asilo.

Os europeus devem também trabalhar com os países onde existem centros de refugiados, que “devem ser muito ajudados”, para garantir que as pessoas não deixam aqueles campos. Caso contrário, será um movimento “que não conseguiremos controlar”, alertou.

Os líderes da União Europeia vão reunir-se numa cimeira extraordinária a 23 de setembro para debater a crise migratória e adotarem decisões concretas.

John Kerry em Berlim para debater crise dos refugiados

O secretário de Estado norte-americano, John Kerry, visitará no domingo o seu homólogo alemão, Frank-Walter Steinmeier, para debater a crise dos refugiados. A informação foi dada pelo porta-voz do Departamento de Estado, John Kirby.

John Kerry encurtará assim a sua visita a Londres, para onde viaja esta sexta-feira, e onde planeava ficar até domingo.

“Ambos vão discutir uma série de assuntos bilaterais, incluindo os temas relacionados com as migrações e os refugiados na Europa”, afirmou John Kirby.

Os compromissos anunciados nos últimos dias por países como a Alemanha, França e Reino Unido para fazer frente à crise aumentaram a pressão para que os Estados Unidos se envolvam no problema.

A Casa Branca anunciou a semana passada que os Estados Unidos vão acolher 10.000 refugiados sírios durante o novo ano fiscal, que começa a 01 de outubro.

Em Londres, John Kerry vai discutir com o chefe da diplomacia britânica, Philip Hammond, a crise na Síria e a situação dos refugiados na Europa.

Estados-Unidos dispostos a trabalhar com a Rússia sobre situação na Síria

Os Estados Unidos mostraram ainda disponibilidade para discutir “táticas e práticas” com a Rússia sobre a Síria, mas ainda não foi tomada uma decisão definitiva quanto à proposta russa para conversações sobre o conflito sírio.

O porta-voz da Casa Branca, Josh Earnest, assegurou, em conferência de imprensa, que o Governo norte-americano “está aberto para conversações táticas e práticas” com a Rússia sobre a Síria e a campanha contra o grupo extremista Estado Islâmico.

O secretário de Estado norte-americano, John Kerry, revelou na quarta-feira que recebeu uma proposta da Rússia para iniciar conversações “militares” sobre o conflito na Síria.

O porta-voz do Pentágono, Peter Cook, afirmou hoje que o secretário da Defesa norte-americano, Ash Carter, está a “consultar o resto da equipa de segurança nacional para determinar a melhor foram de proceder” face à proposta russa.

“É algo que está a ser considerado, mas não há nenhuma decisão tomada”, disse Cook.

O Presidente russo, Vladimir Putin, afirmou terça-feira que Moscovo vai continuar a apoiar com ajuda técnico-militar o Governo sírio na sua luta contra grupos terroristas, incluindo o grupo extremista Estado Islâmico.

Os Estados Unidos opõem-se a qualquer apoio ao Governo de Bachar al-Assad e defendem que o líder sírio não pode participar na transição política necessária para acabar com a guerra civil na Síria.

O conflito naquele país árabe teve início em março de 2011 com uma série de protestos contra o Governo. A guerra civil já provocou 220.000 mortos e mais de quatro milhões de refugiados em países vizinhos, assim como 7,6 milhões de deslocados internos, segundo números divulgados pelas Nações Unidas.