Na Holanda, um novo projeto está a surgir no futebol de formação do país. A ideia, que tem fins pedagógicos, é colocar crianças com seis e sete anos a arbitrar os jogos das suas equipas.

A iniciativa, conta a CNN, visa minimizar a pressão a que os pequenos jogadores estão sujeitos, devido às constantes interferências dos seus pais nas decisões tomadas por quem arbitra os jogos.

Para além disso, a Associação de Futebol Holandesa, que é responsável por este projeto a que chama Fair Play Football, quer também as crianças tenham experiências diferentes em relação ao jogo, dando-lhes autonomia e dando-lhes a conhecer o outro lado do futebol – o de vestir a pele daqueles que coordenam os seus jogos.

Ao mesmo tempo, a iniciativa visa não apenas retrair as críticas dos pais das crianças às arbitragens como reduzir a interferência destes na forma como os filhos vivem o jogo. Uma das decisões tomadas é que os pais passarão a estar 20 metros afastados do relvado e poderão apenas expressar palavras de apoio e incentivo aos jogadores.

O programa Fair Play Football envolve para já mais de 700 equipas das regiões de Limburgo e de Brabante, e pode ser extensível a outras zonas do país.

Um dos seus apoiantes é Jamie Lawrence, um jogador de futebol professional de 23 anos, da equipa eslovaca AS Trencin. Jamie Lawrence afirmou à CNN que “as crianças têm um forte sentido de justiça, e sendo encorajados a envolver-se na arbitragem dos seus próprios jogos ganham uma perspetiva diferente, que lhes será útil no futuro”. Jamie Lawrence acrescenta ainda que já viu alguns pais utilizarem “linguagem abusiva”, terem “comportamentos ameaçadores”, gritarem instruções aos seus filhos e até entrarem em “trocas de socos”.

Um dos casos mais graves aconteceu em dezembro de 2012, quando Richard Nieuwenhuizen, de 41 anos, foi espancado até à morte por seis jovens e um dos seus pais, quando arbitrava um jogo do seu próprio filho em Almere.