O vereador do Urbanismo da Câmara de Lisboa garantiu na quarta-feira que a intervenção que a autarquia quer realizar entre o Marquês de Pombal e o Campo Pequeno, abrangendo Saldanha e Picoas, não visa reduzir o estacionamento disponível, antes aumentá-lo.

“Fazendo um balanço do que se perde e do que se ganha”, a empreitada visa aumentar o “estacionamento nas laterais [das avenidas Fontes Pereira de Melo e da República]”, estando ao mesmo tempo previsto um parque público junto à Praça José Fontana, cujo processo “já está todo despachado”, e o acréscimo da “capacidade de estacionamento […] no mercado 31 de Janeiro”, frisou Manuel Salgado. Segundo o autarca, que falava na reunião pública do executivo municipal, perdem-se “cerca de 300 lugares à superfície em todo o eixo”.

Contudo, “passamos de 6.137 lugares em parques de estacionamento para 6.565 lugares em parques de uso público”, indicou. “Creio que estes números são claros em relação àquilo que se propõe”, acrescentou Salgado, salientando que a Avenida Fontes Pereira de Melo “é uma zona que praticamente não tem variação no estacionamento”, à exceção de Picoas.

No início de setembro, a Câmara aprovou a contratação de uma empreitada por 9,4 milhões de euros (11,5 milhões incluindo o Imposto sobre o Valor Acrescentando – IVA) para iniciar a reabilitação do “eixo central da cidade”, que assenta em mais espaços verdes e passeios mais largos. Salgado frisou agora que é “completamente inaceitável” que esta zona se mantenha como está, pelo que a autarquia quer “tornar as passadeiras mais confortáveis, instalar uma pista ciclável na Avenida da República, reduzir a velocidade de circulação”, que nas laterais, deverá ter o máximo de 30 quilómetros/hora, e ainda plantar mais árvores.

“Recuso-me a aceitar, enquanto cidadão de Lisboa, que esta seja uma imagem a perpetuar, é perfeitamente terceiro-mundista”, disse.

Muito crítico, o vereador centrista, João Gonçalves Pereira, afirmou que “a câmara tem de fazer um debate aberto, com toda a gente, e não a pensar em calendários eleitorais”. “O senhor presidente [Fernando Medina] deve um pedido de desculpa à câmara, aos presidentes de junta e aos moradores das Avenidas Novas e de Arroios, porque faltou à verdade”, considerou, realçando a “grande prepotência” da autarquia ao lançar o concurso sem ouvir os residentes.

Gonçalves Pereira apresentou uma moção que pedia a anulação da empreitada, mas o documento foi rejeitado pela maioria socialista na câmara e pelo PCP. O vereador assegurou, por isso, que “o CDS usará todos os meios políticos e democráticos para travar este processo”.

Em resposta, o presidente Fernando Medina garantiu que “o processo foi muito discutido e muito participado”. Medina acusou o vereador do CDS de “presunção a mais” por se assumir como “voz genuína” desta zona, assinalando que a intervenção já estava prevista no programa eleitoral da coligação PS e Cidadãos Por Lisboa, em 2013.

Fernando Medina mostrou-se ainda disponível para falar com os residentes, tal como Salgado. Pelo PCP, o comunista João Ferreira disse esperar que a obra “possa acontecer o mais rapidamente possível”, ressalvando que os moradores e comerciantes devem estar envolvidos no processo, dada a sua “magnitude”.

Já António Prôa, do PSD, apontou “alguma precipitação” para aprovar a empreitada, sugerindo a construção de um túnel no Saldanha, que resultaria num “benefício para o espaço público de qualidade e libertaria a superfície”.