O governador da Califórnia assinou uma lei que permite aos médicos receitarem medicação para pôr termo à vida dos pacientes que estão em fase terminal. A decisão de Jerry Brown faz da Califórnia o quinto estado americano a legalizar a prática do suicídio assistido e o primeiro a fazê-lo desde a morte de Brittany Maynard. Esta paciente decidiu sair do estado para morrer no ano passado, um acto que deu força ao movimento “direito a morrer”.

A decisão do governador é contudo polémica. Jerry Brown, que é católico e chegou a ponderar seguir a carreira de padre, justifica num comunicado a sua posição, sublinhando que a oposição religiosa não foi suficiente para o demover.

“No fim, fui obrigado a refletir sobre o que quereria em face da minha própria morte. Não sei o que faria se estivesse a morrer de forma prolongada e dolorosa. Estou certo, contudo, que seria um conforto poder considerar as opções consagradas nesta lei.”

Os apoiantes do direito a morrer têm defendido a legalização da prática na Califórnia há quase duas décadas. A causa ganhou grande projeção no ano passado, quando uma recém-casada de 29 anos, Brittany Maynard, foi diagnosticada com um cancro terminal no cérebro. A doente trocou a Califórnia pelo Oregon para ser abrangida pela lei Morte com Dignidade, aprovada neste estado americano em 1997.

Depois da morte desta doente, cerca de metade dos estados americanos introduziram algum tipo de legislação de ajuda ao suicídio assistido, segundo a Time.