A Volkswagen reconheceu que os últimos modelos produzidos pela fabricante alemã – e cuja aprovação está suspensa nos EUA – contêm algumas linhas de código (software) na sua programação informática que, de forma semelhante ao kit fraudulento dos modelos até 2014, poderão falsificar as quantidades de emissões de gases poluentes para o ambiente.

O The Telegraph escreveu ao final da noite de quarta-feira que os carros com que a Volkswagen espera, em 2016, recuperar nas vendas após o impacto deste escândalo, estão equipados com um “sistema auxiliar de controlo de emissões“. Segundo o jornal, não se trata do mesmo defeat device que terá sido instalado em quase 11 milhões de carros em todo o mundo (um número mais tarde revisto para cerca de nove milhões), mas o resultado pode ser semelhante.

Este novo software faz com que se aqueça mais rapidamente o catalisador que reduz as emissões poluentes libertadas pelo motor, o que ajuda a que se limitem as emissões da mistura de gases nocivos conhecida como NOx. Segundo o The Telegraph, um responsável da Volkswagen informou na semana passada, pela primeira vez, as autoridades norte-americanas, no caso a Environmental Protection Agency, sobre a existência deste novo software.

Neste momento está ativa uma moratória à venda de carros a diesel da Volkswagen nos EUA, mas a empresa alemã está a tentar colaborar com as autoridades para obter luz verde para poder comercializar os novos modelos de 2016 no mercado norte-americano. Mas uma responsável da EPA deixa claro o seguinte: “temos uma longa lista de questões para a Volkswagen sobre isto”, numa referência a este novo software.

“Estamos a obter algumas respostas da parte deles, mas ainda não temos todas as respostas de que necessitamos”, acrescentou a responsável. A EPA não tem ainda a certeza, portanto, sobre se este software foi ou não concebido deliberadamente para mascarar as emissões poluentes, mas para já este facto está a impedir a homologação dos novos veículos.

Equipa do Governo analisa fraude na Volkswagen

O grupo de trabalho criado pelo Governo para assegurar a monitorização das ações decorrentes da fraude da Volkswagen volta a reunir-se hoje, no Ministério da Economia, e terá de apresentar um relatório até 2 de novembro deste ano.

O ministro da Economia, Pires de Lima, que preside à reunião, deixou na passada terça-feira uma mensagem de confiança no investimento que foi assinado há pouco mais de um ano com o Estado português e que está em execução na Autoeuropa: “não temos nenhum sinal da Volkswagen que possa por em causa o plano de execução que foi aprovado pelo Estado”.

O grupo de trabalho, criado pelo Governo português a 30 de setembro, é composto pelos secretários de Estado da Inovação, Pedro Gonçalves, dos Transportes, Sérgio Monteiro, e do Ambiente, Paulo Lemos e nele incluem-se também técnicos do Instituto da Mobilidade e Transporte e da Agência do Ambiente.